Após o resultado do primeiro turno, o Ibovespa futuro subiu cerca de 7% nos negócios da manhã desta segunda-feira (5), enquanto as ações da Petrobras negociadas em Nova York avançaram 9%. A reação, que antecede a abertura da Bolsa brasileira, mostra como os investidores estão recalculando os riscos e as expectativas para a disputa presidencial, cujo segundo turno será em 25 de outubro.
Futuros anteciparam a reação antes da abertura da B3
Às 9h15, o contrato futuro com vencimento em outubro avançava 7,7%, para 208.955 pontos. Esse contrato começa a ser negociado às 9h, uma hora antes do mercado à vista, e funciona como um primeiro indicador de como os investidores locais respondem a notícias. A Bolsa à vista, que reúne as ações negociadas diretamente, abriu às 10h; os números do futuro não garantem que o índice principal repita a mesma variação.
O futuro também não acompanha exatamente a pontuação do Ibovespa à vista: seu preço considera o prazo até o vencimento e os juros desse período. Por isso, a variação percentual é uma referência mais útil para comparar os movimentos. Na sexta-feira (2), antes do resultado eleitoral, o Ibovespa fechou em 192.114 pontos, após alta de 2,63% no pregão.
Resultado eleitoral surpreendeu as expectativas
Com 99,47% das urnas apuradas às 9h15, Flávio Bolsonaro (PL) tinha 47,13% dos votos válidos, ante 45,04% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os dois avançaram para o segundo turno. Pesquisas divulgadas na véspera apontavam empate técnico e, em alguns levantamentos, Lula aparecia numericamente à frente.
A diferença em relação às expectativas ajuda a explicar a intensidade da reação: o resultado levou investidores a reverem suas apostas sobre quem pode vencer e sobre os rumos econômicos de um eventual novo governo. Ainda assim, a eleição não está decidida. O segundo turno pode alterar as expectativas, e a oscilação dos ativos nesta manhã não determina o resultado final da disputa nem as políticas que serão adotadas.
Petrobras e outros ativos brasileiros sobem no exterior
A alta da Petrobras em Nova York veio junto de uma valorização de outros papéis brasileiros negociados fora do país. O fundo de índice EWZ, que reúne ações brasileiras, chegou a subir 10,29% durante as negociações de domingo à noite. Esses movimentos no exterior ajudaram a sinalizar o tom que poderia prevalecer na abertura da B3.
As estatais estão entre os papéis que podem reagir mais às expectativas políticas porque o mercado considera o possível efeito de decisões de governo sobre sua gestão e seus resultados. O gestor Alfredo Menezes, da Armor Capital, disse que daria mais atenção a essas empresas no curto prazo, citando o desconto associado ao risco de uma política econômica mais expansionista. A alta das ações, porém, não significa que esse risco desapareceu.
Expectativas para juros e câmbio ainda dependem do segundo turno
Gestores ouvidos antes da abertura esperavam uma bolsa em alta, valorização do real e queda dos juros futuros. Tadeu Arantes, da Ghia Multi Family Office, projetava uma alta de 4% a 5% para o Ibovespa, ou mais, com boa parte do movimento concentrada no primeiro pregão após a eleição. Já Menezes avaliou que parte dos votos recebidos por candidatos de terceira via poderia migrar para Flávio, mas essa é uma estimativa, não um resultado confirmado.
Para quem investe, o próximo passo é acompanhar a reação do mercado à vista e como os candidatos detalham suas propostas até 25 de outubro. Perspectivas sobre contas públicas e decisões de governo podem influenciar ações, câmbio e juros: juros futuros menores, por exemplo, podem reduzir o custo esperado do crédito e tornar ações mais atraentes em comparação com aplicações de renda fixa. Mas essas expectativas podem mudar com a campanha e não são garantia de que os juros efetivamente cairão ou de que a Bolsa manterá a alta.
