A distribuição dos eleitores mais jovens e mais velhos pelo país evidencia uma mudança associada ao envelhecimento da população: em 2026, Norte e Nordeste têm maior proporção de votantes com até 24 anos, enquanto os grandes colégios eleitorais do Sul e do Sudeste concentram parcelas menores desse grupo. O mapa importa porque altera o perfil etário das bases eleitorais que campanhas e partidos procuram alcançar.

Norte e Nordeste têm as maiores proporções de jovens

Levantamento com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aponta que Roraima, Acre, Amapá e Amazonas têm a maior participação de eleitores com até 24 anos: 18% do eleitorado de cada estado. Maranhão aparece em seguida, com 17%, enquanto Pará e Tocantins registram 16%.

Na outra ponta, o Rio Grande do Sul tem a menor proporção de jovens nessa faixa etária, com 9%. No Rio de Janeiro, eles representam 10%; em São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, 11%. São estados que abrigam alguns dos maiores eleitorados do país, mas nos quais os mais jovens têm peso proporcional menor.

A mudança aparece ao comparar os dados com 2010

O contraste regional acompanha uma transformação nacional. Entre 2010 e 2026, o eleitorado brasileiro aumentou 17%, passando de 135,8 milhões para 158,8 milhões de pessoas aptas a votar. Ainda assim, a participação dos eleitores com até 24 anos caiu de 18,2% para 12,5% do total.

Em números absolutos, o contingente jovem diminuiu de 24,7 milhões para 19,2 milhões, uma redução de 5,5 milhões de eleitores ao longo dos 16 anos. Portanto, o crescimento geral do eleitorado não se distribuiu igualmente entre as idades: a parcela mais jovem encolheu mesmo com a expansão do total de votantes.

Eleitores com 60 anos ou mais ganharam espaço

Na direção oposta, o grupo com 60 anos ou mais cresceu 74% desde 2010 e ultrapassou 36,8 milhões de eleitores em 2026. A ampliação dessa faixa, junto com a redução proporcional dos mais jovens, ajuda a explicar por que o envelhecimento populacional se reflete também na composição das urnas.

Os números descrevem a idade e a localização dos eleitores, não suas preferências políticas nem a probabilidade de comparecimento. Ainda assim, mostram que campanhas que buscam alcançar o país precisam considerar públicos com perfis etários distintos e diferenças importantes entre estados e regiões.

Grandes colégios eleitorais têm menos jovens proporcionalmente

O dado geográfico altera a leitura do peso eleitoral. Sul e Sudeste reúnem os maiores eleitorados, mas têm as menores proporções de votantes com até 24 anos. Já estados do Norte e do Nordeste apresentam fatias jovens maiores, embora isso, por si só, não indique que tenham mais eleitores jovens em números absolutos do que os estados mais populosos.

Essa diferença pode influenciar a forma como partidos e candidatos organizam a comunicação e definem quais grupos pretendem mobilizar. O CEO do Instituto Nexus, Marcelo Tokarski, descreveu o quadro como uma nova geografia eleitoral: os jovens perderam espaço proporcional nos maiores colégios, mas seguem relevantes em disputas apertadas. Em 2022, a diferença entre Lula e Jair Bolsonaro ficou abaixo de 2 milhões de votos.

O que os dados indicam para a eleição de 2026

A distribuição etária não permite antecipar o resultado nem aponta automaticamente como cada grupo votará. Ela mostra, porém, que o eleitorado está mudando em ritmos diferentes pelo território: a presença relativa dos jovens é maior em estados do Norte e do Nordeste, enquanto o envelhecimento é mais visível em partes do Sul e do Sudeste.

Para quem acompanha a eleição, o próximo passo é observar como candidaturas e partidos respondem a essa composição, sem confundir tamanho de uma faixa etária com preferência política. Os dados de 2026 oferecem um retrato do eleitorado registrado pelo TSE e uma comparação com 2010, mas não substituem informações sobre intenção de voto ou participação efetiva nas urnas.