As eleições presidenciais podem abrir caminho para o dólar cair dos R$ 5,21 usados como referência no estudo para uma faixa entre R$ 4,87 e R$ 4,94, segundo projeções de analistas. A possibilidade depende de uma eventual redução do risco político e de melhores perspectivas fiscais e econômicas; não é uma previsão certa nem um movimento garantido pelo resultado das urnas.

Experiências de países vizinhos entram no cálculo

A análise compara o comportamento das moedas do Chile, da Colômbia e do Peru após eleições recentes que levaram à alternância de governo. Nos 42 pregões seguintes ao segundo turno — cerca de dois meses —, o peso chileno subiu 6,5% frente ao dólar, o colombiano avançou 9% e o sol peruano ganhou 0,6%.

O estudo destaca que, no Chile e na Colômbia, a valorização não terminou quando os vencedores foram conhecidos. Depois da votação, investidores também avaliam quem ocupará cargos no governo, como será a relação com o Legislativo e se as primeiras sinalizações econômicas parecem confiáveis e possíveis de executar.

Como a análise chega à faixa de R$ 4,87 a R$ 4,94

O cálculo considera três cenários de valorização do real. No caso-base, que ajusta os movimentos das moedas pela volatilidade, a apreciação estimada é de 6,7%. Aplicada à referência de R$ 5,21, essa variação levaria o dólar para perto de R$ 4,87.

Dois exercícios mais conservadores estimam altas menores para o real: cerca de 5,2% e 5,4%. Um considera a volatilidade observada na época das eleições analisadas; o outro desconta dos movimentos das moedas a parcela associada ao desempenho global do dólar, medido pelo DXY, índice que acompanha a moeda diante de uma cesta de divisas. Esses cálculos apontam para uma cotação próxima de R$ 4,94 e R$ 4,93, respectivamente.

Risco político e expectativas podem mexer com o câmbio

O mecanismo passa pela percepção de risco. Se investidores enxergarem uma perspectiva econômica mais favorável e menor incerteza fiscal, podem exigir menos compensação para manter recursos no país. Essa reavaliação pode estimular a procura por ativos brasileiros e pelo real, pressionando a cotação do dólar para baixo.

Na véspera do primeiro turno, marcado para este domingo, 4 de outubro, o agregado de pesquisas citado no estudo apontava Lula com 40% e Flávio Bolsonaro com 38% no primeiro turno. Em uma eventual disputa entre os dois no segundo, Flávio aparecia numericamente à frente, com 45% contra 44%. Os números indicam uma disputa apertada, mas não determinam o resultado nem bastam, por si só, para definir a trajetória do câmbio.

O que acompanhar depois da votação

A cotação de R$ 4,87 já havia sido observada em janeiro de 2024, há mais de dois anos, segundo o levantamento. A volta a esse patamar, porém, depende de uma combinação de fatores: além da reação inicial às urnas, o mercado deve acompanhar a composição do governo, sua relação com o Congresso e a credibilidade das propostas econômicas.

Para quem investe, consome ou trabalha, a projeção ajuda a entender como as expectativas políticas podem influenciar o câmbio, mas não sinaliza uma mudança certa ou imediata nos preços. O efeito sobre produtos importados e custos depende de a valorização se concretizar e chegar à economia. Nos próximos dias e semanas, a reação do real e os sinais econômicos posteriores à eleição serão importantes para avaliar se o cenário previsto ganha força.

Impacto para a sociedade

Se o real se valorizar, produtos e insumos importados podem ficar mais baratos e aliviar parte da pressão sobre os preços. Esse efeito depende de a mudança cambial se confirmar e não ocorre necessariamente de forma imediata ou integral para o consumidor.