Ao votar neste domingo (4), em Colina, no interior de São Paulo, Augusto Cury defendeu o fim da reeleição, criticou o bolsonarismo e o lulismo e prometeu manter o Bolsa Família por pelo menos dois anos para quem conseguir emprego formal. O candidato do Avante à Presidência disse que o benefício só seria encerrado quando a renda mensal do trabalhador alcançasse uma faixa entre R$ 4 mil e R$ 6 mil. As declarações combinam uma crítica ao modelo político atual com uma proposta de transição entre o auxílio e o trabalho com carteira assinada.

Como funcionaria a manutenção do Bolsa Família

Na proposta de Cury, conseguir um emprego com carteira assinada não levaria à perda imediata do benefício. A família poderia continuar recebendo o auxílio por pelo menos dois anos após a contratação. O candidato afirmou que o pagamento só cessaria quando a renda do trabalhador chegasse a R$ 4 mil, R$ 5 mil ou R$ 6 mil por mês.

Ele também disse que quem não conseguisse emprego permaneceria no programa. Cury apresentou a medida como forma de evitar que o beneficiário tenha de escolher entre aceitar um trabalho formal e perder o auxílio. Na prática, manter as duas fontes de renda por um período permitiria, segundo o desenho anunciado, uma passagem menos abrupta do benefício para o salário.

O candidato relacionou a proposta à ideia de ampliar a classe média e afirmou que não se deve “perpetuar os pobres na pobreza”. Não detalhou como seria definida a faixa de renda para interromper o pagamento, nem apresentou, nas declarações ao votar, outras regras de aplicação da medida.

Críticas à reeleição e ao personalismo político

Cury também defendeu que a reeleição deixe de existir e criticou o que chamou de personalismo na política latino-americana. Ao citar correntes e lideranças políticas, mencionou peronismo, varguismo e chavismo, além de bolsonarismo e lulismo.

Para o candidato, a permanência de políticos no poder pode estar ligada ao uso de programas sociais para manter apoio, em vez de promover a autonomia de quem recebe os benefícios. Ele criticou a possibilidade de um político se reeleger “uma, duas, três vezes” e disse que programas sociais deveriam ajudar os beneficiários a deixar a pobreza.

Cury diz que campanha ocorreu em ambiente tóxico

O candidato afirmou ter sofrido pressões de diferentes lados durante a campanha e descreveu o ambiente político como “tóxico” e “doente”. Segundo ele, a disputa seria marcada por uma “guerra de egos”. Cury disse que pretende mudar o modelo de liderança do país.

Escritor e psiquiatra, ele disputa sua primeira eleição. Cury votou na escola municipal Coronel José Venâncio Dias, em sua cidade natal, acompanhado da esposa, Suleima Cury, e do sobrinho Daniel Cury. Seu candidato a vice-presidente é Júlio Delgado, também do Avante.

Promessas dependem de implementação

As falas feitas no dia da votação são propostas de campanha, não mudanças já aplicadas às regras do Bolsa Família. Para que a manutenção do auxílio após a contratação formal se concretizasse, seria necessário transformar a promessa em política pública e estabelecer como funcionariam os critérios de renda e de pagamento.

Para quem recebe o benefício ou considera aceitar um emprego formal, a declaração de Cury não altera a situação atual por si só. O que vem a seguir é o resultado da eleição e, caso o candidato vença, a apresentação de detalhes sobre a proposta. Já a defesa do fim da reeleição e as críticas aos dois campos políticos citados indicam a linha de mudança institucional que ele diz querer promover.

Impacto para a sociedade

Se adotada, a proposta permitiria que beneficiários do Bolsa Família mantivessem o auxílio por pelo menos dois anos após conseguir emprego com carteira assinada. O benefício só deixaria de ser pago quando a renda mensal do trabalhador chegasse a uma faixa entre R$ 4 mil e R$ 6 mil, segundo Cury; a medida ainda é uma promessa de campanha.