Renan Santos, candidato do Missão à Presidência, classificou a disputa deste domingo (4) como a “eleição mais estranha” desde a redemocratização e afirmou estar esperançoso com o resultado. A declaração, feita após votar na zona sul de São Paulo, resume a avaliação do candidato sobre uma campanha que, segundo ele, evitou debates e discussões de propostas.

Comparação com a eleição de 1989

Ao falar com jornalistas na Escola Estadual Professor José Geraldo de Lima, na Vila Friburgo, Renan comparou o pleito atual à eleição de 1989, realizada no período de redemocratização. “Acho que estão presenciando aí a eleição mais estranha desde a redemocratização, desde a eleição de 89”, disse. A afirmação foi apresentada como uma crítica ao modo como a disputa chegou ao dia da votação.

O candidato não detalhou, na declaração, quais características específicas tornariam a eleição inédita em relação a pleitos anteriores. Em vez disso, associou sua avaliação à falta de debate público sobre propostas e à atuação das forças políticas que, em sua leitura, dominam a disputa. A fala expressa a interpretação de Renan sobre a campanha, não uma avaliação compartilhada por todos os candidatos.

Crítica à falta de debate sobre propostas

Renan afirmou que os eleitores não conhecem os planos dos candidatos que lideram as pesquisas porque, segundo ele, não houve discussão suficiente sobre propostas. Também acusou grupos políticos majoritários de evitarem esse tipo de debate por estarem envolvidos em grandes escândalos de corrupção e por temerem a entrada de novos concorrentes.

Ao defender esse argumento, o candidato apresentou sua própria campanha como alternativa ao que chamou de disputa “vazia”. Ele disse ter feito uma campanha “muito bonita” e associou a ausência de debate à resistência das forças estabelecidas a novidades e a candidatos de fora dos grupos dominantes. As acusações foram feitas por Renan durante a votação.

Renan contesta argumento do voto útil

O candidato também criticou o apelo ao voto útil defendido por Flávio Bolsonaro, do PL. A estratégia, conforme descrita na fala de Renan, afirma que votar em outro nome poderia favorecer a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, ainda no primeiro turno. Renan chamou esse raciocínio de falso, mas reconheceu que ele pode influenciar parte do eleitorado.

Questionado sobre um convite para debater com Flávio, Renan respondeu que não recebeu resposta. Também chamou o adversário de “completamente desqualificado” e disse não ter visto, até então, uma justificativa para o voto nele que não fosse a intenção de tirar Lula do poder. A crítica coloca o debate sobre voto estratégico entre os temas levantados pelo candidato no dia da eleição.

Apuração deve ser acompanhada na sede do partido

Renan disputa a Presidência pela primeira vez. Coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), ele concorre com o número 14 e tem o Coronel Medina, também do Missão, como vice. Depois de votar pela manhã, disse que acompanharia a apuração a partir das 17h na sede do partido, na capital paulista.

Para o eleitor, a declaração é um registro da avaliação de um candidato sobre a campanha, mas não antecipa o resultado das urnas nem confirma como suas críticas serão recebidas pelo público. A próxima referência concreta será a apuração dos votos, que mostrará o desempenho do Missão e dos demais concorrentes. Renan afirmou estar esperançoso, sem apresentar uma previsão numérica para sua votação.