O dólar à vista encerrou esta sexta-feira (2) a R$ 5,2165, recuo de 0,07% no dia, no último pregão antes do primeiro turno das eleições. A baixa foi pequena: a cautela dos investidores com a disputa eleitoral no Brasil limitou o efeito de fatores externos que, em geral, favoreceram moedas como o real. Na semana, porém, a moeda americana acumulou alta de 0,67% ante a brasileira.

Incerteza eleitoral conteve o recuo da moeda

Às vésperas da votação, investidores mantiveram uma postura mais defensiva no mercado local. A disputa pela Presidência aparece tecnicamente empatada nas pesquisas mais recentes entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro. Quando o resultado eleitoral é incerto, parte do mercado tende a buscar proteção em ativos considerados mais seguros, entre eles o dólar. Esse movimento pode sustentar a cotação mesmo quando o cenário externo aponta para uma moeda americana mais fraca.

O economista sênior da Nomad Vitor Kayo avaliou que o alívio vindo do exterior teve efeito limitado no Brasil. A demanda defensiva por dólares na véspera do primeiro turno ajuda a explicar por que a cotação caiu apenas 0,07%, apesar do desempenho negativo da moeda americana em mercados globais.

Emprego mais fraco nos EUA mudou as apostas sobre juros

O relatório de emprego dos Estados Unidos mostrou a abertura de 29 mil vagas em setembro, número abaixo do esperado pelo mercado. A taxa de desemprego subiu de 4,1% para 4,2% no período. Como esses dados ajudam a medir a força da economia e as pressões sobre salários e preços, eles são acompanhados de perto pelo Federal Reserve, o banco central americano.

Com os números mais fracos, aumentaram as apostas de que o Fed manterá os juros, em vez de alterá-los na reunião seguinte. A probabilidade de manutenção passou de 80%, segundo as expectativas do mercado. Juros americanos estáveis podem reduzir o impulso para investidores direcionarem recursos aos ativos dos Estados Unidos em busca de retornos maiores, o que tende a aliviar a pressão sobre outras moedas. Essa relação, contudo, não determina sozinha o câmbio: fatores locais, como a eleição, também pesam.

Dólar global recuou e petróleo aliviou pressão inflacionária

Por volta das 17h, o DXY, índice que compara o dólar a uma cesta de seis moedas, incluindo euro e libra, caía 0,19%, aos 101,907 pontos. A queda do indicador mostrava perda de força da moeda americana no exterior, em linha com a reação aos dados de emprego. O movimento global ofereceu algum suporte ao real, mas não foi suficiente para produzir uma baixa mais expressiva no pregão brasileiro.

Outro fator citado no mercado foi a redução dos preços do petróleo, que alivia pressões inflacionárias globais. A cotação da commodity pode afetar custos de energia e transporte e, por essa via, influenciar preços. No pregão, porém, não houve informação de que esse alívio tenha alterado diretamente os preços pagos pelos consumidores brasileiros.

O que acompanhar depois do fechamento

A queda diária de 0,07% não apaga a valorização de 0,67% acumulada pelo dólar na semana. As duas variações mostram recortes diferentes: o fechamento desta sexta-feira indica o movimento de um pregão, enquanto o dado semanal reúne as oscilações dos últimos dias. Por isso, a baixa pontual não significa, por si só, uma mudança duradoura na tendência da moeda.

Para quem acompanha investimentos, o câmbio deve seguir sensível tanto às expectativas sobre os juros nos Estados Unidos quanto aos desdobramentos eleitorais no Brasil. Uma moeda americana mais cara pode encarecer produtos importados e insumos cotados em dólar, mas os efeitos sobre preços domésticos dependem de outros custos e podem levar tempo. O próximo dado relevante para a cotação será a reação dos mercados ao resultado do primeiro turno e às expectativas que ele produzir sobre a economia.