Na reta final antes do primeiro turno, os preços das opções de EWZ e o número de contratos em aberto dispararam, sinal de que investidores ampliaram suas apostas sobre os ativos brasileiros. A volatilidade implícita chegou a cerca de 56% no contrato com vencimento em outubro, indicando que o mercado passou a cobrar mais por uma possível movimentação intensa — que pode ser tanto de alta quanto de queda.
Mais procura elevou o custo das opções
O movimento ganhou força a partir de setembro, quando pesquisas eleitorais passaram a mostrar uma disputa mais acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Com a eleição no radar, investidores locais e estrangeiros buscaram exposição ao Brasil por meio de contratos ligados ao EWZ, fundo negociado nos Estados Unidos que reúne ações brasileiras e funciona como uma espécie de “Ibovespa em dólar”.
O aumento dos contratos em aberto mostra que há mais posições ainda vigentes no mercado. Já a alta dos preços indica que os investidores estão pagando mais para entrar nessas operações. Os dois movimentos apontam para uma procura maior, mas não revelam, por si só, se o conjunto dos participantes espera uma alta ou uma queda das ações brasileiras.
O que a volatilidade implícita indica
A volatilidade implícita é uma medida da oscilação que o mercado espera para o ativo e ajuda a determinar o preço de uma opção. Quanto maior a incerteza sobre o comportamento futuro do EWZ, mais caro tende a ficar o contrato. É uma espécie de preço do risco: o investidor paga mais para se posicionar diante da possibilidade de uma variação expressiva.
Nos contratos próximos ao período eleitoral, a volatilidade implícita da opção de EWZ com vencimento em 16 de outubro estava em cerca de 56%. Uma semana antes, era de 46%. Para o contrato com vencimento em 20 de novembro, após os dois turnos, a taxa chegou a 51%, ante 45% uma semana antes. Assim, a alta foi de 10 pontos percentuais no vencimento de outubro e de 6 pontos no de novembro.
Contratos cobrem momentos diferentes da eleição
O vencimento de 16 de outubro abrange o período até o primeiro turno, enquanto o de 20 de novembro se estende para depois das duas etapas da votação. A concentração em contratos de um a dois meses permite que investidores tentem capturar movimentos associados à eleição sem comprar diretamente o fundo. Em geral, a opção exige menos capital do que uma posição equivalente no mercado à vista, mas seu valor pode mudar rapidamente.
Quem compra uma opção paga por um direito: o de comprar o ativo por um preço previamente definido até uma data determinada. Se, no vencimento, a cotação estiver acima desse preço, a operação pode gerar ganho; caso contrário, o comprador pode perder o valor pago pelo contrato. Portanto, uma opção mais cara aumenta o custo de entrada e não garante retorno.
Volatilidade eleitoral em perspectiva histórica
Os dados compilados por Gustavo Akamine, sócio da Constância Investimentos, mostram que a volatilidade histórica de dez dias do EWZ variou bastante em eleições anteriores. Em 2002, foi de 66,04% nos dez pregões anteriores ao primeiro turno, chegou a 83,10% entre os turnos e ficou em 69,07% nos dez primeiros pregões após o segundo turno.
Na média simples das seis eleições consideradas, os valores foram de 37,84% antes do primeiro turno, 47,20% entre as votações e 44,80% depois do segundo turno. Essa série mede oscilações já observadas, enquanto a volatilidade implícita reflete expectativas embutidas nos preços atuais. As medidas ajudam a contextualizar o risco, mas não permitem prever o resultado eleitoral nem a direção do mercado.
O que acompanhar até os vencimentos
Para quem investe, o principal efeito imediato é o encarecimento da exposição por opções: além de acertar a direção do EWZ, é preciso considerar o preço pago e o prazo do contrato. Uma oscilação menor do que a embutida no preço pode frustrar uma aposta, mesmo que o ativo se mova na direção esperada. O risco de perder o valor desembolsado também permanece.
Até os vencimentos de outubro e novembro, pesquisas, notícias eleitorais e a reação dos ativos brasileiros podem alterar as expectativas e os preços dos contratos. A alta da volatilidade aponta para maior incerteza, não para uma previsão segura sobre quem vencerá ou sobre o desempenho futuro da bolsa.
