O Ibovespa fechou em alta de 2,63%, aos 192.114,55 pontos, no último pregão antes do primeiro turno das eleições, neste domingo (4). A alta levou o índice ao maior nível desde abril e ocorreu após uma sessão de oscilações, com investidores reagindo tanto às expectativas eleitorais quanto a dados de emprego dos Estados Unidos.
Bolsa virou para alta após oscilar durante o pregão
O índice chegou a recuar durante o dia, mas ganhou força à tarde e terminou no maior nível da sessão. Na semana, acumulou alta de 4,7%. O movimento não foi uniforme: enquanto ações de grandes empresas ajudaram a sustentar o índice, papéis de companhias que vinham sendo negociadas a preços mais baixos também avançaram.
A proximidade da votação aumentou a volatilidade, isto é, as oscilações dos preços ao longo do pregão. Para Lucas Xavier, da AW Capital, parte dos investidores aproveitou a última sessão antes do primeiro turno para ajustar posições conforme suas expectativas para o resultado. Ele observou que as compras se concentraram também em ações consideradas menos expostas a uma eventual piora do cenário eleitoral, como as do Banco do Brasil.
Disputa eleitoral influenciou as apostas dos investidores
O chamado “trade eleitoral” — operações feitas com base nas expectativas sobre o resultado das urnas — ganhou força na reta final do pregão. Gabriel Mollo, da Daycoval Corretora, avaliou que a alta refletiu a expectativa de que o candidato da direita pudesse ter desempenho melhor que o previsto no primeiro turno. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) apareciam tecnicamente empatados nas pesquisas mencionadas por analistas.
Essa leitura não representa uma previsão do resultado, mas ajuda a explicar por que os preços oscilaram antes da votação. O dólar à vista terminou em queda de 0,08%, a R$ 5,216. A moeda chegou a variar entre R$ 5,196 e R$ 5,239 durante a sessão, enquanto investidores também buscaram proteção diante da incerteza eleitoral.
Dados de emprego nos EUA deram apoio aos ativos de risco
Nos Estados Unidos, o relatório de emprego (payroll) registrou a criação de 29 mil vagas em setembro, abaixo das cerca de 90 mil esperadas por economistas. A taxa de desemprego ficou em 4,2%, ante previsão de 4,1%. Os números reforçaram a percepção de que o Federal Reserve, banco central americano, teria menos pressão para elevar os juros na próxima reunião.
Juros americanos mais altos podem tornar aplicações nos Estados Unidos relativamente mais atraentes e reduzir o interesse por ativos de maior risco em outros países. A expectativa de menor pressão sobre os juros, por sua vez, favoreceu o apetite por ações. As bolsas de Nova York fecharam em alta: Dow Jones avançou 0,49%, S&P 500 subiu 0,73% e Nasdaq ganhou 1,19%.
Petrobras, bancos e ações de maior risco avançaram
Entre as empresas de maior peso no Ibovespa, Petrobras contribuiu para a alta. As ações preferenciais da estatal subiram 2,49%, acompanhando a virada do petróleo Brent para o campo positivo durante o pregão. A companhia também havia confirmado uma nova descoberta de petróleo no polo Morpho, na Margem Equatorial. Vale avançou 2,56%, e Itaú subiu 1,54%.
Hapvida liderou as altas do índice, com valorização de 11,91%, apoiada por uma avaliação favorável do banco Jefferies e notícias de que a empresa estuda uma operação envolvendo hospitais. Natura também avançou mais de 10%. Esses movimentos em ações específicas ampliaram os ganhos do mercado, mas não significam que todas as empresas tenham reagido pelo mesmo motivo.
Resultado das urnas será o próximo foco do mercado
Para quem investe, o fechamento expressivo marca a posição do mercado antes da votação, não uma garantia de continuidade da alta. As negociações devem reagir ao resultado do primeiro turno e à possibilidade de uma nova etapa na disputa presidencial. A incerteza pode continuar influenciando ações, dólar e juros nos próximos pregões.
Para trabalhadores e consumidores, a alta da Bolsa em um único dia não altera diretamente preços ou renda. Já os dados americanos podem afetar as expectativas sobre os juros globais, mas o efeito depende das próximas decisões do Fed e da evolução da economia. O pregão seguinte, na segunda-feira (5), dará uma primeira medida da reação dos investidores ao resultado eleitoral.
