Na reta final antes do primeiro turno, a volatilidade da Bolsa mudou de ritmo: o VIX Brasil fechou em 32,39 pontos na quinta-feira (1º), recorde desde sua criação, em março de 2024, e o Ibovespa teve fortes oscilações na sessão seguinte. Nesta sexta-feira (2), última sessão antes da votação, o índice ultrapassou os 190 mil pontos, mas também recuou até 186,1 mil. O contraste mostra que a expectativa de turbulência aumentou mesmo enquanto os movimentos acumulados da Bolsa ainda estavam abaixo da média histórica dos anos eleitorais.
Recorde do VIX sinaliza expectativa de oscilações maiores
Conhecido como “índice do medo”, o VIX Brasil é calculado com base nos preços das opções sobre o Ibovespa. Ele mede a volatilidade implícita: a intensidade das oscilações que o mercado espera para os próximos 30 dias, conforme as apostas embutidas nesses contratos. Antes do recorde, o indicador já rondava 30,40 pontos, em nível considerado elevado.
Os cinco maiores fechamentos do VXBR até então ocorreram entre 21 de setembro e 1º de outubro. Leituras acima de 30 pontos costumam estar associadas a maior incerteza e possibilidade de movimentos expressivos nos preços. Isso não indica, por si só, que a Bolsa vá cair: o índice mede o tamanho esperado das variações, que podem ser tanto de alta quanto de baixa.
Oscilação observada e expectativa do mercado não são iguais
A volatilidade realizada, por sua vez, descreve quanto o Ibovespa efetivamente oscilou em um período passado. Um estudo apresentado pelo analista Fábio Figueiredo, conhecido como Vlad, comparou essa medida em 2026 com o padrão médio dos anos de eleição presidencial anteriores.
Na análise, a volatilidade realizada de 2026 permanecia abaixo da média histórica no período observado, enquanto a volatilidade implícita já apontava maior expectativa de movimentos. Não há contradição: uma medida olha para as oscilações que já aconteceram; a outra reflete o que os preços das opções indicam sobre o futuro próximo.
Histórico aponta aceleração perto da votação
O padrão histórico apresentado no estudo mostra que as oscilações tendem a ganhar força antes da eleição. A curva média dos ciclos anteriores acelera em setembro e permanece elevada durante outubro, com um pico entre o fim de setembro e o mês da votação, antes de perder intensidade posteriormente.
Investidores ajustam posições conforme a disputa se aproxima e diferentes cenários passam a ser incorporados aos preços. Por isso, a distância entre a volatilidade realizada de 2026 e a média histórica não elimina a possibilidade de sessões mais instáveis na reta final, como indicou a amplitude dos movimentos do Ibovespa nesta sexta-feira.
Payroll dos EUA também mexeu com os ativos
A eleição não foi o único fator em jogo na última sessão antes do primeiro turno. O mercado também reagiu ao relatório de emprego dos Estados Unidos, o payroll, que veio abaixo das expectativas. O dado influenciou juros e dólar e mexeu com ativos de risco, contribuindo para um pregão em que o Ibovespa passou por máximas e recuos expressivos.
Esse componente externo ajuda a explicar por que a oscilação de um dia não pode ser atribuída apenas à política brasileira. Dados econômicos americanos podem alterar as expectativas para os juros e afetar mercados de diferentes países, inclusive o Brasil.
O que os indicadores dizem a quem acompanha a Bolsa
O recorde do VXBR revela maior procura por proteção ou por exposição a movimentos mais intensos, mas não antecipa a direção do Ibovespa. Já a volatilidade realizada ajuda a dimensionar o que ocorreu, sem garantir que o comportamento passado se repita. São medidas complementares, não previsões certas sobre o resultado da eleição ou sobre o desempenho futuro dos ativos.
Para quem investe, a combinação indica um ambiente em que preços podem variar mais e em que notícias políticas e econômicas externas podem se misturar. O próximo foco é a reação dos mercados após a votação e a evolução das expectativas refletidas nas opções. Até lá, recordes de volatilidade descrevem incerteza — não uma recomendação nem um sinal automático de alta ou queda.
