O Itaú BBA incluiu a B3 (B3SA3) e retirou a Axia Energia (AXIA3) de sua carteira recomendada de dividendos para outubro. A mudança busca posicionar o portfólio para uma possível recuperação da atividade no mercado de capitais a partir do quarto trimestre, com potencial de elevar receitas ligadas a negociações e emissões de ativos.

Por que a B3 entrou no lugar da Axia Energia

Na avaliação do banco, a B3 combina fontes de receita recorrentes com a possibilidade de se beneficiar de um aumento dos volumes negociados, de novas emissões de ativos e de um ambiente mais favorável a investimentos. Esses fatores podem contribuir para os resultados da companhia, embora dependam do ritmo de atividade no mercado.

A empresa opera a infraestrutura central do mercado de capitais brasileiro. Suas atividades incluem negociação, registro, compensação, liquidação e depósito centralizado de ativos. Também atua em segmentos como ações, derivativos e renda fixa, além de oferecer serviços de dados.

Na prática, parte da receita da B3 está ligada à manutenção dessa infraestrutura, enquanto outra parte pode variar conforme o volume de negócios e de emissões. Essa combinação ajuda a explicar a tese apresentada pelo Itaú BBA, mas não elimina os efeitos de períodos de menor movimentação na bolsa.

Projeções de dividendos para a ação

O Itaú BBA estima que a B3 possa apresentar um dividend yield de aproximadamente 6% em 2027. Para 2026, a tabela da carteira indica uma estimativa de 5,9% para a ação. O indicador relaciona os dividendos esperados ao preço do papel e serve como referência para comparar o retorno potencial distribuído pelas empresas.

As duas projeções se referem a anos diferentes e não representam um pagamento garantido. O valor efetivamente distribuído depende dos resultados e das decisões da companhia; além disso, mudanças no preço da ação alteram o percentual do dividend yield. Portanto, a estimativa não deve ser confundida com uma taxa fixa, como a de um investimento de renda fixa.

Como ficou a carteira de outubro

Com a troca, a carteira reúne cinco empresas, cada uma com peso de 20%: B3, Allos (ALOS3), Copel (CPLE3), Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4). As estimativas de dividend yield para 2026 são, respectivamente, 5,9%, 10,8%, 7,9%, 6,1% e 12,2%.

Os percentuais são projeções para cada ação, não uma promessa de retorno total da carteira. O resultado para quem investe também pode ser afetado pela oscilação dos preços dos papéis, e os dividendos podem mudar conforme o desempenho das empresas e suas políticas de distribuição.

Resultado de setembro teve pressão da Vale

A carteira avançou 4,3% em setembro, mas ficou 0,7 ponto percentual abaixo da alta do Ibovespa no mês. O principal impacto negativo veio da Vale: suas ações caíram 10%, pressionadas por preocupações com os custos de frete da mineradora em meio à alta dos combustíveis e a interrupções em rotas importantes de navegação.

Apesar do desempenho mensal inferior ao índice, a carteira acumula valorização de 897% desde sua criação, em janeiro de 2012. No mesmo intervalo, o Ibovespa avançou 228%. A comparação considera todo o período e não indica que o resultado passado vá se repetir nos próximos meses ou anos.

O que observar após a mudança

Para a B3, a tese apresentada depende de a atividade do mercado de capitais ganhar força, com mais negociações e emissões. Caso esse movimento não se confirme, uma das fontes de potencial crescimento destacadas pelo banco pode ser menor. A exposição a receitas recorrentes, por sua vez, não torna a ação imune às oscilações do mercado.

Para quem acompanha a carteira, os próximos pontos são os dados de atividade da B3 e a evolução dos resultados das cinco empresas, além das distribuições efetivamente anunciadas. A mudança registra a visão do Itaú BBA para outubro; não é garantia de dividendos nem de valorização das ações.