As bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta nesta sexta-feira (2), recuperando parte das perdas da véspera, com destaque para ações de tecnologia e fabricantes de chips. O avanço de 0,75% do Stoxx 600, índice que reúne empresas de vários países europeus, levou o indicador a 631,35 pontos. A reação também refletiu dados mais fracos de emprego nos Estados Unidos, que reforçaram as apostas de manutenção dos juros pelo Federal Reserve (Fed) em outubro.
Chips puxam a recuperação das bolsas europeias
O setor de tecnologia avançou 2,6%, com otimismo em torno da demanda por equipamentos ligados à inteligência artificial (IA). A expectativa de procura por chips e componentes para essa área ajudou a impulsionar fabricantes do segmento. Também contribuiu a notícia de que a Samsung elevou os preços de memórias, um sinal acompanhado de perto por investidores do setor.
Entre as empresas, a Infineon subiu 8,2% e a ASM International avançou 5,6%. A ASML ganhou 3,5%, enquanto a STMicroelectronics teve alta de 6%. Esses movimentos deram força aos índices em um dia de recuperação, mas não impediram resultados distintos entre companhias e países: Lisboa encerrou em baixa, destoando da maioria das principais praças europeias.
Payroll abaixo do esperado muda as apostas para o Fed
Os Estados Unidos criaram 29 mil vagas de trabalho em setembro, bem menos que a mediana de 85 mil esperada por analistas. A taxa de desemprego subiu para 4,2%. O relatório mensal de emprego, conhecido como payroll, pode influenciar as decisões do Fed porque ajuda a mostrar o ritmo da economia e a pressão sobre o mercado de trabalho.
Com a criação de vagas mais fraca, investidores passaram a considerar mais provável que o banco central americano mantenha os juros na reunião de outubro. Juros estáveis reduzem a possibilidade de uma alta que encareceria o crédito e aumentaria a remuneração oferecida por aplicações de renda fixa. Para as ações, a perspectiva pode ser favorável porque diminui a pressão sobre o custo de financiamento das empresas e sobre o valor atribuído a seus lucros futuros. A queda do petróleo também ajudou a aliviar preocupações com a inflação.
Inflação na zona do euro mantém atenção sobre o BCE
Na zona do euro, a inflação anual acelerou para 3,8% em setembro, acima do esperado. A alta dos preços é relevante para o Banco Central Europeu (BCE), que precisa avaliar se a inflação exige juros mais altos. Ainda assim, a Capital Economics prevê que a instituição espere até dezembro para elevar as taxas.
Essa diferença entre o dado de inflação e a expectativa sobre a decisão do BCE ajuda a explicar por que o movimento do dia não significa uma mudança definitiva na direção do mercado. Investidores avaliam, ao mesmo tempo, a possibilidade de juros estáveis nos Estados Unidos e a persistência da inflação na Europa. As expectativas podem mudar conforme novos dados econômicos forem divulgados.
Índices avançam, mas empresas têm desempenhos diferentes
Em Londres, o FTSE 100 subiu 0,32%, para 10.461,95 pontos. Em Frankfurt, o DAX ganhou 1,13%, aos 25.222,06 pontos, enquanto o CAC 40, de Paris, avançou 0,79%, a 7.897,19 pontos. Frankfurt teve o maior avanço entre esses três índices, em uma sessão liderada pelo setor de tecnologia.
Também houve movimentos ligados a notícias específicas de empresas. A Glencore subiu 3% em Londres depois de elevar uma projeção de longo prazo. Já a Volvo caiu 1,6% em Estocolmo após abandonar sua projeção anual, citando a fraqueza do mercado automotivo chinês e a recuperação lenta nos Estados Unidos. A IG Group recuou 22,2% após uma atualização de negócios.
O que acompanhar depois da alta desta sexta
O avanço das bolsas mostra uma recuperação diária, não uma garantia de continuidade. Para quem acompanha o mercado, os próximos dados de emprego e inflação e as decisões de juros do Fed e do BCE podem alterar as expectativas que influenciaram os preços nesta sessão. A força da demanda ligada à IA também seguirá relevante para as empresas de chips.
Além disso, o G7 anunciou a liberação coordenada de 100 milhões de barris de estoques estratégicos ao longo de quatro meses, com prioridade para o diesel nos primeiros 20 dias, e medidas para ampliar o refino e garantir a navegação pelo Estreito de Ormuz. O setor europeu de energia subiu 0,4%. A evolução dessas medidas e do petróleo será importante para avaliar se o alívio nas preocupações com inflação se mantém, enquanto a diferença entre os setores reforça que a alta dos índices não representou ganhos uniformes para todas as ações.
