A Embraer (EMBJ3) entregou 66 aeronaves no terceiro trimestre de 2026, o maior volume já registrado pela empresa nesse período, mas o resultado ficou aquém das estimativas de bancos para os segmentos comercial e executivo. A diferença importa porque a quantidade e o tipo de aeronave entregue influenciam as projeções de receita e podem afetar as expectativas para os resultados da fabricante.
Jatos comerciais e executivos ficaram abaixo das estimativas
Entre julho e setembro, a Embraer entregou 22 aeronaves comerciais. O número ficou abaixo das 24 projetadas pelo Bradesco BBI e das 23 esperadas pelo consenso de mercado, uma referência calculada a partir das estimativas de analistas. Na aviação executiva, foram 41 jatos, ante 46 previstos pelo BBI e 45 pelo consenso.
As demais entregas somaram dois aviões de ataque leve A-29 Super Tucano e um cargueiro militar KC-390. Embora o total de 66 aeronaves tenha sido recorde para um terceiro trimestre, os volumes menores que o esperado em duas áreas explicam por que a avaliação dos bancos não foi uniformemente positiva.
Composição das entregas pode reduzir projeções de receita
O BBI estima que o volume entregue e a composição dos modelos podem representar um impacto negativo de cerca de US$ 160 milhões, ou 7%, em sua projeção de receita. Na comparação com o consenso de mercado, o efeito calculado é de aproximadamente US$ 120 milhões, ou 5%. A principal razão é o número menor de jatos executivos e um conjunto de preços menos favorável na aviação comercial.
O efeito sobre as margens comerciais, porém, ainda depende de informações sobre os clientes que não foram divulgadas. Um maior número de aeronaves pode ajudar a diluir custos de produção, mas o resultado final varia conforme a composição das vendas. Por isso, o recorde de entregas não elimina a incerteza sobre quanto a empresa poderá reconhecer em receita e rentabilidade.
Ritmo mais equilibrado reduz concentração no fim do ano
O BBI apontou um aspecto favorável: as entregas estão menos concentradas na segunda metade do ano. No segmento comercial, o volume do terceiro trimestre correspondeu a 27% do ponto médio da projeção anual da Embraer, acima dos 26% observados no mesmo período de 2025 e da média de 22% dos últimos quatro anos.
Considerando os nove primeiros meses de 2026, a companhia já entregou 70% do ponto médio de sua projeção anual. No mesmo intervalo de 2025, essa proporção era de 66%; a média dos últimos quatro anos é de 60%. Para o Santander, a distribuição mais equilibrada pode tornar a geração de caixa mais previsível e diminuir oscilações nos resultados. O banco considera que a meta anual continua alcançável.
Bancos mantêm avaliações, apesar das ressalvas
O Bradesco BBI classificou o resultado como misto e manteve sua avaliação positiva, com preço-alvo de US$ 99 para o fim de 2026. O Santander considerou as entregas moderadamente positivas: as áreas comercial e executiva ficaram abaixo de suas estimativas, enquanto Defesa e Segurança vieram em linha. Já o Itaú BBA avaliou o balanço de entregas como levemente negativo, pois o desempenho executivo compensou a surpresa favorável na aviação comercial.
O BBA também observou que o recorde trimestral reduz a chance de uma nova revisão para cima das projeções da empresa. Santander, JPMorgan e Itaú BBA mantiveram recomendação de compra e preços-alvo de, respectivamente, US$ 106, US$ 104 e US$ 95. Essas avaliações são projeções dos bancos, não garantias de desempenho futuro das ações.
O que acompanhar nos próximos resultados
Para quem acompanha a empresa, o dado central é a combinação entre o recorde trimestral e o desempenho inferior ao esperado em entregas comerciais e executivas. A diferença pode pressionar estimativas de receita, enquanto o avanço na proporção da meta anual já cumprida dá suporte à expectativa de que a Embraer alcance sua projeção para 2026.
Os próximos resultados ajudarão a esclarecer se a composição das entregas afetou receita e margens e se o ritmo mais distribuído ao longo do ano se mantém. Até lá, a avaliação do trimestre depende não apenas do total de aeronaves, mas também dos modelos vendidos, dos preços e do progresso em relação à meta anual.
