A Claro concluiu a compra de 72,83% da Desktop por R$ 1,75 bilhão e prepara uma oferta pública de aquisição (OPA) para os demais acionistas. A operação, anunciada em março, coloca a empresa de banda larga sob o controle da operadora e pode encerrar a negociação das ações da Desktop na B3. As condições e o calendário da oferta ainda serão divulgados.

Compra envolveu 84,7 milhões de ações

A aquisição foi realizada por meio de uma subsidiária da Claro e envolveu 84,7 milhões de ações ordinárias, ao preço de R$ 20,63 por papel, sujeito a ajustes previstos no contrato. Com a conclusão da transferência, a Claro passou a controlar a Desktop, mas a saída da bolsa ainda depende dos próximos passos da OPA.

A mudança de controle permite à compradora comandar uma companhia que já tem clientes, rede e presença regional no mercado de banda larga fixa. A Claro afirma que pretende integrar essa estrutura à sua operação para ampliar sua atuação no segmento. Ainda não há definição sobre uma eventual fusão, cisão ou incorporação da Desktop.

OPA pode reunir três objetivos

A oferta planejada combina a possibilidade de compra das ações dos demais investidores após a troca de controle com a retirada da Desktop do Novo Mercado e a mudança da categoria de registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), de A para B. A oferta poderá abranger até a totalidade das ações ordinárias que não pertencem à Claro, inclusive as detidas por administradores. Ações mantidas em tesouraria ficam de fora.

Na prática, a conversão para a categoria B é o mecanismo proposto para encerrar a negociação das ações, sem cancelar completamente o registro da companhia na CVM. Esse registro permite a emissão de outros valores mobiliários admitidos nessa categoria. A Claro, porém, poderá desistir tanto da conversão quanto da saída do Novo Mercado e manter apenas a oferta relacionada à aquisição do controle.

Preço e regras para os minoritários ainda dependem do edital

Os investidores que não venderam suas ações na transferência do controle poderão decidir se aderem à OPA quando forem conhecidos seus termos. O preço de R$ 20,63 por ação foi o valor pago na compra do bloco de controle, mas as condições completas de pagamento aos demais acionistas serão apresentadas no edital da oferta.

Também não há data definida para o leilão. A Claro deverá apresentar o pedido de registro da OPA à CVM dentro do prazo regulamentar, e o edital detalhará o calendário e as regras. Até a conclusão desse processo, a saída da bolsa é uma possibilidade em preparação, não uma etapa já consumada.

Troca de comando acompanha a mudança de controle

No dia em que a aquisição foi concluída, cinco integrantes da diretoria renunciaram, entre eles o então presidente, Denio Alves Lindo. O conselho elegeu Rodrigo Marques de Oliveira como novo CEO e Roberto Catalão Cardoso para os cargos de diretor financeiro e de relações com investidores. Os mandatos seguem até a assembleia geral ordinária que avaliará as demonstrações financeiras de 2026.

Também passaram a integrar o conselho José Antônio Guaraldi Felix, Rodrigo Marques de Oliveira e Roberto Catalão Cardoso. Uma assembleia extraordinária ainda será convocada para deliberar sobre a nova composição do colegiado. Para quem tem ações, os próximos marcos práticos são a divulgação do pedido à CVM e do edital: só então será possível avaliar as condições para participar da oferta e o destino da negociação dos papéis.