A Bity, corretora de criptomoedas que ficou conhecida pela plataforma de comparação de preços Biscoint, encerrará as operações no Brasil e permitirá que seus clientes transfiram saldos para o Mercado Bitcoin (MB). A mudança começa nesta sexta-feira, 2 de outubro, e envolve uma base de 850 mil usuários e mais de R$ 1 bilhão em ativos sob custódia, segundo a empresa.

Transferência dos saldos será feita pelo aplicativo da Bity

A partir desta sexta, os clientes poderão transferir os valores que mantêm na Bity para o Mercado Bitcoin diretamente pelo aplicativo da corretora. A empresa informou que a operação foi planejada para facilitar a transição, mas a transferência depende da iniciativa dos usuários: o comunicado diz que eles poderão realizá-la, não que os saldos serão movidos automaticamente.

O fundador e presidente-executivo da Bity, Valdiney Pimenta, afirmou que a escolha do MB buscou garantir uma transição tranquila. A corretora, anteriormente chamada Bitybank, ganhou visibilidade com a Biscoint, plataforma de comparação de preços de bitcoin que se integrou ao grupo após a fusão com a então Bitypreço.

Mercado Bitcoin oferece condições especiais aos clientes

Quem transferir os saldos terá acesso a benefícios oferecidos pelo Mercado Bitcoin. Entre eles estão um período maior com taxa zero na compra e venda de criptoativos, condições especiais de rentabilidade em tokens de ativos do mundo real — produto que a plataforma chama de Renda Fixa Digital — e recompensas ampliadas em staking, modalidade de participação em redes de criptomoedas.

A lista inclui ainda taxas reduzidas no CriptoCrédito e atendimento de um assessor dedicado para clientes com alta custódia. As condições fazem parte da oferta de migração; por isso, os usuários devem consultar os termos aplicáveis no aplicativo antes de transferir os recursos. O MB afirma que quer oferecer uma transição simples e segura e atender diferentes necessidades de clientes de ativos digitais.

Prazo de autorização do Banco Central se aproxima

O encerramento ocorre enquanto se aproxima o prazo para empresas que atuam com criptoativos no país solicitarem autorização ao Banco Central. Até 30 de outubro, as companhias precisam apresentar o pedido de licença. Após essa data, quem não tiver feito a solicitação poderá operar irregularmente e ficar sujeito a sanções, conforme as regras descritas para o setor.

O Banco Central foi definido em 2023 como regulador do mercado brasileiro de criptoativos, após a aprovação do Marco Legal dos Criptoativos. A exigência de autorização muda o ambiente de atuação das corretoras: as empresas precisam se adequar às regras e se submeter à supervisão da autoridade monetária para seguir operando dentro do marco regulatório.

Fechamentos reforçam a concentração entre corretoras

A Bity se soma a outras empresas que anunciaram a saída do mercado brasileiro: NovaDAX, Digitra.com e Coinext. A mexicana Bitso também deixou de atender clientes individuais no país e passou a se concentrar no segmento empresarial. No caso da Bity, a transferência da base de usuários para o MB reforça o movimento de consolidação entre plataformas que continuam no Brasil.

O próprio Mercado Bitcoin já havia recebido usuários da Bitso. O presidente do conselho e CEO da empresa, Roberto Dagnoni, afirmou que o acordo reforça o papel do MB nessa consolidação. A transferência de clientes amplia a base da plataforma, enquanto os usuários da Bity passam a ter a opção de manter seus saldos em outra corretora.

O que clientes precisam acompanhar agora

Para quem usa a Bity, a mudança prática imediata é avaliar a transferência pelo aplicativo e verificar os benefícios e as condições oferecidas pelo MB. A informação disponível indica que a migração dos saldos pode começar em 2 de outubro; ela não detalha outros procedimentos ou prazos para clientes que não fizerem a transferência nesse primeiro momento.

O próximo marco para o setor é 30 de outubro, prazo para o pedido de autorização ao Banco Central. Até lá, a saída de corretoras e a migração de clientes mostram como a adaptação às regras pode reorganizar as opções disponíveis no país. Para os usuários, será importante acompanhar as comunicações das empresas sobre a continuidade dos serviços e o destino dos recursos mantidos nas plataformas.