O Ibovespa voltou a operar na faixa dos 187 mil pontos nesta quinta-feira (1º), com apoio das ações da Petrobras, enquanto a alta do petróleo e do dólar, cotado a R$ 5,19, mantinha o mercado instável. O movimento combina impulso para empresas ligadas à commodity com fatores que podem pressionar custos e aumentar a cautela dos investidores.

Petrobras ajuda a sustentar a bolsa

A valorização do petróleo no mercado internacional favorece a percepção sobre empresas do setor, e as ações da Petrobras contribuíam para a alta do índice. O Ibovespa reúne papéis de diferentes companhias; por isso, o desempenho de uma empresa de grande peso pode influenciar o resultado geral, sem que todas as ações avancem juntas.

O cenário, porém, não era de alta generalizada. O VXBR, indicador de volatilidade da bolsa brasileira, subia 0,95%, a 31,97 pontos, por volta das 10h34. O avanço sinaliza maior oscilação esperada para o mercado, mas não indica, por si só, a direção que os preços seguirão.

Petróleo em alta contrasta com recorde de produção no Brasil

A pressão sobre o petróleo ocorria em meio à notícia de que a China proibiu exportações de suas refinarias. A commodity mais cara pode beneficiar produtores, mas também encarece insumos e combustíveis. No mesmo pregão, a Petrobras elevou o preço do querosene de aviação (QAV) para distribuidoras a partir desta quinta-feira.

Em outubro, o aumento do QAV foi de 11,6% em Guarulhos (SP) e Betim (MG), e de 12% em Duque de Caxias (RJ). As altas vieram após reajuste médio de cerca de 13,9% em setembro ante agosto. Em paralelo, a produção brasileira de petróleo atingiu 4,6 milhões de barris por dia em agosto, alta de 18,4% frente ao mesmo mês de 2025 e terceiro recorde mensal consecutivo.

Dólar e juros futuros também avançam

Além do petróleo, o dólar comercial subia a R$ 5,19 e os juros futuros avançavam. Esses contratos refletem as taxas que investidores projetam para períodos adiante. Quando seus rendimentos sobem, o custo de financiamento tende a aumentar e aplicações de renda fixa podem ficar mais atraentes em relação a ações, pressionando avaliações de empresas.

O movimento local ocorria em um ambiente internacional igualmente dividido. As bolsas dos Estados Unidos abriram em alta, apoiadas por compras de ações de inteligência artificial, apesar da valorização do petróleo e dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O rendimento do papel de dez anos alcançou o maior nível desde 2002, segundo as informações do pregão.

Atividade industrial fraca é outro sinal para os investidores

No Brasil, o índice de gerentes de compras, ou PMI, apontou que a contração da indústria se intensificou em setembro, diante da demanda fraca. Uma atividade industrial menor pode limitar receitas e planos de expansão de empresas, criando um contraponto ao impulso dado por ações ligadas ao petróleo.

O dado se soma à alta dos juros futuros como um fator a acompanhar: a bolsa depende tanto das perspectivas de lucro das companhias quanto do custo do dinheiro e do ritmo da economia. Ainda assim, o material do pregão não atribui a esses indicadores uma causa específica para a valorização do Ibovespa nesta manhã.

O que acompanhar no restante do pregão

Para quem investe, a volta aos 187 mil pontos mostra uma recuperação do índice, mas não elimina a instabilidade indicada pelo avanço da volatilidade. A sustentação da alta dependerá da evolução das ações de maior peso e da reação do mercado ao petróleo, ao dólar e aos juros.

Para consumidores, o reajuste do QAV pode pressionar os custos das companhias aéreas e, eventualmente, as tarifas, sem garantir uma mudança imediata nas passagens. No restante do dia, os investidores também devem acompanhar os sinais sobre a atividade industrial e o comportamento dos mercados internacionais, que podem alterar o humor da bolsa.

Impacto para a sociedade

A alta de 11,6% a 12% no querosene de aviação aumenta o custo do combustível para as companhias aéreas e pode pressionar as tarifas, embora não signifique repasse imediato ao preço das passagens. Petróleo e dólar mais caros também podem elevar custos de produtos e insumos ligados ao mercado internacional.