O dólar avançava no início desta quinta-feira, 1º de outubro, sob influência das tensões no Oriente Médio e da expectativa por uma nova pesquisa eleitoral no Brasil. Às 9h10, a moeda à vista subia 0,28%, a R$ 5,189, depois de recuar 0,76% na sessão anterior. O movimento acompanha a alta da divisa norte-americana frente a moedas de países emergentes no exterior.

Cotação do dólar e comparação com a véspera

Na mesma referência das 9h10, o contrato futuro de dólar para novembro avançava 0,02%, a R$ 5,215, na B3. O mercado à vista havia fechado a quarta-feira, 30 de setembro, a R$ 5,1735. Assim, a alta desta manhã representa uma recuperação parcial em relação à queda do pregão anterior, e não apaga a oscilação recente da moeda.

O dólar à vista é negociado para entrega imediata, enquanto o contrato futuro expressa um preço acordado para uma data adiante. Os dois valores podem se mover de maneira diferente porque respondem a expectativas e condições próprias de negociação. A cotação divulgada durante a manhã também pode mudar ao longo do pregão, conforme compradores e vendedores ajustam suas posições.

Tensão no Oriente Médio volta a preocupar o mercado

No exterior, a preocupação com a guerra no Oriente Médio pressionava os mercados. Novos ataques no Estreito de Ormuz atingiram três petroleiros que transitavam pelo canal, reacendendo a apreensão em torno do conflito e do transporte de energia pela região. O episódio contribuiu para a busca por dólares e para a valorização da moeda americana diante de divisas emergentes.

Em momentos de incerteza internacional, investidores podem reduzir exposição a ativos considerados mais arriscados e buscar moedas vistas como mais seguras, entre elas o dólar. Essa procura pode elevar a cotação frente ao real mesmo sem uma notícia específica sobre a economia brasileira. A tensão em uma rota importante para o transporte de petróleo também mantém no radar o risco de efeitos sobre os preços de energia, embora o material disponível não indique uma cotação do barril nesta manhã.

Pesquisa eleitoral entra no radar doméstico

No Brasil, a corrida presidencial acrescenta um fator de atenção: faltando três dias para as eleições, uma nova pesquisa Datafolha estava prevista para o início da noite. Levantamentos podem influenciar as expectativas dos participantes do mercado sobre o cenário político, mas a divulgação, por si só, não determina a direção do câmbio. O efeito depende de como os resultados são interpretados e de sua combinação com os fatores externos.

Por isso, a alta do dólar nesta manhã não deve ser atribuída exclusivamente à disputa eleitoral. O movimento ocorre ao mesmo tempo que a moeda americana avança contra divisas emergentes e que persistem preocupações com o conflito no Oriente Médio. A evolução das cotações ao longo do dia pode mostrar se esses vetores continuam predominando ou se perdem força.

O que acompanhar ao longo do dia

Para quem investe, a cotação do início da manhã é apenas um retrato de um momento do pregão, não uma indicação garantida do fechamento. A abertura das negociações do Ibovespa estava prevista para as 10h, e os preços dos ativos poderiam incorporar novas informações durante o dia. Também ficam no radar a pesquisa eleitoral anunciada para a noite e os desdobramentos das tensões no Oriente Médio.

Para consumidores, uma alta pontual do dólar não significa que preços de produtos importados ou combustíveis mudem imediatamente. O câmbio pode influenciar custos de itens comprados no exterior e de insumos, mas o repasse depende de outros fatores e pode levar tempo. Nesta quinta-feira, os dados disponíveis apontam uma oscilação moderada da moeda, após a queda de quarta, em meio a incertezas externas e políticas.