Magazine Luiza teve a maior alta entre as ações do Ibovespa em setembro, enquanto Natura registrou a maior queda. No mês, 17 papéis subiram mais de 10% e cinco recuaram pelo menos 10%, em um período no qual o índice avançou 5,03%, para 186.340,46 pontos. A dispersão dos resultados mostra que, apesar do saldo positivo da Bolsa, os movimentos variaram bastante entre empresas.
Juros menores favoreceram ações ligadas ao consumo
A queda dos juros e o aumento das apostas em um cenário político e fiscal mais favorável ajudaram ações domésticas e sensíveis ao custo de capital. Em setembro, a Selic chegou a 13,75%, após o quinto corte consecutivo do Banco Central. Juros menores podem diminuir despesas financeiras de empresas endividadas e facilitar o crédito para consumidores, embora os efeitos dependam das condições de cada companhia e não apareçam necessariamente de imediato.
Na Bolsa, a perspectiva de juros mais baixos também muda a comparação com a renda fixa: quando os retornos oferecidos por aplicações conservadoras caem, ações podem ganhar atratividade relativa. Isso não elimina os riscos nem garante valorização. O desempenho de cada papel também depende dos resultados da empresa e de notícias específicas, como ocorreu com Magazine Luiza, Vamos e Assaí.
Parceria e notícias corporativas deram impulso ao Magalu
Além do cenário de juros, a principal notícia da companhia foi um acordo com o Mercado Livre, anunciado no início do mês, para ampliar a distribuição de produtos do Magalu dentro da plataforma. A parceria foi vista como uma forma de buscar mais vendas no comércio eletrônico sem depender tanto dos gastos para atrair clientes aos canais próprios.
Outro fator foi a revogação, pela Anvisa, de uma medida preventiva que impedia a empresa de comercializar, distribuir e anunciar determinados medicamentos. A decisão retirou uma restrição, mas não libera automaticamente a venda: a aplicação das novas regras ainda depende de regulamentação específica. O efeito econômico, portanto, dependerá das normas e do modelo de operação adotado.
O movimento da ação também reflete a sensibilidade do Magalu aos juros, já que a venda de bens duráveis pode ser afetada pelo custo do financiamento. Ainda assim, há ressalvas sobre a sustentação da alta: o JPMorgan manteve avaliação abaixo da média do mercado e apontou que, em seus cálculos, quase todo o lucro da companhia depende de incentivos tributários. A instituição também alertou que juros menores podem reduzir ganhos financeiros embutidos nas vendas e pressionar margens.
Vamos e Assaí combinaram juros e fatores próprios
Na Vamos, a queda dos juros foi relevante para uma empresa que exige muito capital e já havia apontado as taxas elevadas como um obstáculo ao resultado financeiro. A melhora operacional também acompanhou o movimento: no segundo trimestre de 2026, o lucro líquido ajustado cresceu 21,8%, para R$ 101,1 milhões; o Ebitda ajustado subiu 6,6% e a receita líquida, 10,8%. A ocupação da frota chegou a 89%, maior nível desde 2020 e próxima da meta de 90%.
O Assaí acumulou alta de 25,76% no mês, favorecido também pela sensibilidade aos juros. A empresa anunciou a compra de 18 postos de combustíveis por até R$ 80 milhões, com planos de formar gradualmente uma rede que poderia passar de 100 unidades no longo prazo. A XP avaliou que os postos podem atrair clientes às lojas e apoiar as vendas. No segundo trimestre, o lucro líquido subiu 121%, para R$ 484 milhões, e o Ebitda ajustado avançou 30,9%.
As quedas lembram que o resultado não foi uniforme
Natura foi o destaque negativo do mês, e outras quatro ações também caíram pelo menos 10%. Entre os fatores que pesaram sobre papéis do Ibovespa, empresas de minério de ferro, como Vale e CSN Mineração, enfrentaram a queda da commodity. Ações de construtoras voltadas à baixa renda também sofreram com um cenário de crédito mais restrito.
Para quem acompanha o mercado, o saldo de setembro reúne duas mensagens: o Ibovespa subiu, mas a alta não foi distribuída igualmente, e os estímulos de juros menores não afastaram os riscos próprios de cada empresa. A sequência de cortes da Selic e a evolução dos resultados corporativos seguem entre os fatores a observar, sem que o desempenho de um mês determine o comportamento futuro das ações.
Impacto para a sociedade
A queda da Selic pode reduzir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, mas não significa que o crédito ficará mais barato de imediato. Para quem investe em renda fixa, juros menores também tendem a reduzir o retorno oferecido em novas aplicações.
