As ações de grandes bancos avançaram com força nesta quarta-feira (30): o Itaú (ITUB4) chegou a subir mais de 5% durante o pregão, enquanto Banco do Brasil (BBAS3) e Bradesco (BBDC4) também tiveram ganhos expressivos. O movimento acompanhou a alta de cerca de 2% do Ibovespa e ocorreu em meio a dados de inflação mais baixos que o esperado nos Estados Unidos e à proximidade das eleições presidenciais brasileiras.
Itaú liderou o avanço entre os grandes bancos
Às 15h42, o Itaú subia 4,61%, cotado a R$ 44,25, depois de ter superado 5% de alta ao longo do dia. No mesmo horário, o Banco do Brasil avançava 4,08%, a R$ 22,94, e o Bradesco ganhava 3,60%, a R$ 18,48. Os números são variações registradas durante o pregão, não o resultado de fechamento.
O desempenho não foi uniforme em todo o setor. As units do Santander recuavam 2,12%, enquanto o BTG Pactual subia 2,34%. Ainda assim, a valorização de Itaú, Banco do Brasil e Bradesco deu destaque aos bancos em uma sessão positiva para a Bolsa brasileira. O fundo de índice EWZ, negociado em Nova York e ligado ao mercado acionário do Brasil, também avançava: 2,70%, a US$ 37,46, em sua máxima intradiária naquele momento.
Inflação americana mexeu com as expectativas de juros
Um dos fatores por trás do movimento veio dos Estados Unidos. O índice de preços de despesas de consumo pessoal, conhecido pela sigla PCE, subiu 0,3% em agosto ante julho, conforme dado divulgado nesta quarta-feira. O resultado ficou abaixo do esperado pelo mercado e ajudou a aliviar preocupações com a persistência da inflação americana.
Com isso, investidores reduziram a aposta em uma sequência mais intensa de aumentos de juros pelo Federal Reserve, o banco central dos EUA. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava 60,7% de probabilidade de manutenção dos juros entre 3,75% e 4,00% na reunião de outubro. Na véspera, essa chance era de 49,1%. A expectativa ainda pode mudar: trata-se de uma estimativa de mercado, não de uma decisão já tomada pelo Fed.
Menor pressão externa pode favorecer ativos brasileiros
Quando a inflação americana surpreende para baixo, o mercado pode rever o ritmo esperado para os juros dos EUA. Uma perspectiva de juros menos pressionados tende a reduzir a pressão sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, os yields dos Treasuries. Isso pode tornar ações de outros países mais atraentes para investidores que comparam retornos e riscos entre mercados.
Os bancos brasileiros estão entre os papéis mais negociados da Bolsa, o que facilita a entrada e a saída de investidores estrangeiros. Esse perfil ajuda a explicar por que as ações do setor podem acompanhar mudanças no apetite por ativos brasileiros. A alta do EWZ reforçava, durante a sessão, o sinal positivo para os papéis locais, mas não confirma, por si só, o volume de recursos estrangeiros que entrou no país.
Eleições mantêm incerteza no radar dos investidores
O cenário doméstico também pesava nas avaliações. A quatro dias do primeiro turno presidencial, a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) seguia acirrada, sem um vencedor claro nas pesquisas citadas. Diante da incerteza, parte do mercado já considerava uma possível mudança de governo em seus preços.
Para quem acompanha investimentos, a alta de um dia não define a direção das ações nem elimina os riscos ligados aos juros americanos e à eleição. O avanço dos bancos mostra como fatores externos e domésticos podem se combinar no pregão. Nos próximos dias, as expectativas para a política monetária dos EUA e a evolução da disputa presidencial continuarão entre os elementos observados pelos participantes do mercado.
