O Ibovespa avançou 2,11% e se aproximou dos 188 mil pontos nesta quarta-feira (30), impulsionado por dados de inflação dos Estados Unidos e pelas apostas do mercado em Flávio Bolsonaro na disputa presidencial. A combinação ajudou a melhorar o apetite por ações em um pregão marcado tanto pelo cenário internacional quanto pela incerteza eleitoral no Brasil.

PCE mais brando alterou as apostas sobre os juros nos EUA

O PCE, índice de preços de despesas de consumo pessoal acompanhado pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano), subiu 0,3% em agosto ante julho. No acumulado do ano, a alta foi de 3,4%, abaixo dos 3,7% registrados no mês anterior, embora ainda acima da meta de 2% perseguida pelo Fed.

Com o resultado, que veio mais brando do que o esperado pelo mercado, investidores passaram a considerar mais provável que o Fed mantenha os juros entre 3,75% e 4% na decisão de outubro. A ferramenta FedWatch, do CME Group, indicava chance de 60,7% de manutenção, ante 49,1% na véspera. A expectativa de uma nova alta foi deslocada para dezembro.

Essa mudança reduz a pressão sobre os rendimentos dos títulos do Tesouro americano, conhecidos como Treasuries. Quando esses juros perdem força, ativos de risco, como ações, podem se tornar relativamente mais atraentes. O movimento também alivia a pressão sobre a curva de juros no Brasil, que reflete as taxas esperadas para diferentes prazos.

Disputa presidencial acrescenta incerteza ao pregão

No cenário doméstico, a eleição presidencial do próximo domingo entrou no radar dos investidores. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro seguia acirrada nas pesquisas, sem um vencedor claro, a quatro dias do primeiro turno. Essa indefinição contribuiu para a oscilação das expectativas sobre os ativos brasileiros.

Parte do mercado considera que uma eventual mudança de governo poderia favorecer a Bolsa no curto prazo, caso seja associada a maior controle das contas públicas. Essa leitura é uma aposta dos investidores, não uma previsão sobre o resultado da eleição nem garantia de que as políticas futuras terão determinado efeito. O cenário eleitoral também pode mudar conforme novas informações sejam incorporadas aos preços.

Bancos, Vale e Petrobras lideraram as altas

Entre os destaques do pregão, as ações de grandes empresas avançaram, com força especial para o setor financeiro. O índice que reúne ações do segmento subia 3,60% por volta das 15h. O Itaú ganhou mais de 5%, enquanto Vale e Petrobras também operavam em alta, movimento atribuído, em parte, a sinais de entrada de capital estrangeiro.

O fundo negociado em Nova York que acompanha ações brasileiras, o ETF iShares MSCI Brazil (EWZ), subia 2,70% e alcançava US$ 37,46 no mesmo horário. O desempenho do fundo pode refletir tanto o interesse por ativos brasileiros quanto fatores externos, por isso não confirma, sozinho, a origem dos recursos que movimentam a Bolsa.

Na direção contrária, Santander recuava, com a possibilidade de saída da B3 no radar. Magazine Luiza liderava as altas do Ibovespa, com avanço superior a 10%, em um contexto de alívio nos juros futuros e de avaliação otimista do JPMorgan sobre a varejista.

Eleição e próximos passos do Fed seguem no radar

Para quem investe, o avanço do índice mostra como decisões de juros no exterior e expectativas políticas podem mexer com ações brasileiras no curto prazo. Uma curva de juros menos pressionada tende a favorecer empresas cujo valor é mais sensível ao custo de financiamento, mas não elimina riscos nem assegura que as altas persistam.

Nos próximos dias, o mercado deve acompanhar o resultado do primeiro turno e novas sinalizações sobre a política monetária americana. Até lá, mudanças nas expectativas sobre a eleição ou sobre os juros podem alterar o humor dos investidores. O movimento do Ibovespa nesta quarta-feira representa uma reação a esses fatores, e não uma garantia sobre a direção futura da Bolsa.

Impacto para a sociedade

O dado de inflação dos Estados Unidos pode alterar as expectativas sobre os juros do Fed e, com isso, influenciar as condições financeiras também no Brasil. A alta da Bolsa, porém, não significa mudança imediata nos preços ou no crédito para as famílias: esse efeito depende de como os juros e a economia evoluírem.