As ações da CSN (CSNA3) voltaram a subir nesta quarta-feira (30), após desabarem mais de 11% na véspera. Às 13h52, o papel avançava 5,74%, a R$ 5,71, e registrava a terceira maior alta do Ibovespa. A recuperação, porém, não eliminou as preocupações de bancos e corretoras com o endividamento da companhia e com os efeitos da redução de produção anunciada pela divisão de mineração.

Redução de produção muda projeções para 2026

A CSN Mineração informou que vai reduzir temporariamente a produção de minério de ferro de menor qualidade no complexo de Pires, em Ouro Preto (MG). A empresa atribuiu a decisão a condições de mercado mais desafiadoras e ao aumento dos custos de frete. A medida poderá ser revertida se o mercado voltar a oferecer margens melhores para esse tipo de minério.

Com a mudança, a companhia reduziu para 39 milhões a 41 milhões de toneladas sua projeção para 2026, ante a faixa anterior de 45 milhões a 47 milhões. Considerando o ponto médio de cada intervalo, o corte é de cerca de 13%. A empresa também elevou a estimativa do custo caixa C1, indicador do custo de produção por tonelada, para US$ 25 a US$ 26, de US$ 22 a US$ 23,50 — aumento aproximado de 12% no ponto médio.

Safra vê risco para a geração de caixa da holding

O Banco Safra avaliou que o anúncio é negativo tanto para a CSN Mineração quanto para a empresa controladora. Com uma projeção menor de produção e compras de minério de terceiros, a divisão de mineração pode ter menos capacidade de contribuir para a liquidez da holding sem pressionar o próprio balanço.

O banco também apontou que ainda não está claro se a redução da oferta de minério de menor teor permitirá obter preços melhores, por exemplo, com um desconto menor em relação ao índice Platts. O Safra manteve recomendação neutra para a CSN, com preço-alvo de R$ 6,10, e recomendação de venda para a divisão de mineração, com alvo de R$ 5,30. Essas avaliações refletem a análise do banco, não uma garantia de desempenho futuro.

Venda de ativos continua no centro da tese do BTG

O BTG Pactual considera que a notícia da mineração não ajuda a perspectiva para os resultados de curto prazo. A instituição, no entanto, mantém o foco na possibilidade de o novo presidente-executivo, Fabio Schvartsman, acelerar a venda de ativos e reduzir o endividamento. Monetizar ativos significa vendê-los para levantar recursos, que podem ajudar a reorganizar a estrutura de capital da companhia.

O banco afirmou que sua avaliação sobre a CSN se baseia principalmente nessa agenda, e não em uma melhora dos fundamentos do minério de ferro. O BTG manteve recomendação neutra para a CSN e para a CSN Mineração. Na comparação entre as duas empresas, disse preferir a controladora por enxergar possíveis catalisadores ligados a vendas, redução da dívida e reestruturação do portfólio.

XP aponta possível efeito sobre o mercado de minério

A XP Investimentos também considera que o corte de produção pode prejudicar os lucros e a geração de caixa da holding no curto prazo. Por outro lado, avalia que o frete mais caro está retirando do mercado transoceânico parte da oferta marginal de minério de menor qualidade. Se essa dinâmica persistir, poderá dar algum suporte aos fundamentos do minério e aos prêmios pagos por produtos de melhor qualidade.

A corretora, porém, reiterou recomendação neutra para CSN e CSN Mineração. Para quem acompanha os papéis, o próximo ponto é observar como a redução da produção se traduzirá nos resultados e se a empresa conseguirá avançar na venda de ativos e na desalavancagem. A alta desta quarta recupera parte da queda anterior, mas não resolve as dúvidas sobre custos, caixa e dívida que continuam no radar do mercado.