Uma análise do Safra aponta cinco distribuidoras de energia e duas geradoras como possíveis beneficiárias do Redata, regime de incentivos tributários para centros de dados aprovado neste mês. A avaliação considera que a redução de tributos pode estimular novos projetos no Brasil e, com eles, elevar a demanda por eletricidade — uma oportunidade para empresas do setor, embora o crescimento previsto ainda dependa da execução dos investimentos.

Quais companhias podem se beneficiar

Entre as distribuidoras citadas estão Enel, CPFL, Light, Equatorial e Energisa. Essas empresas atuam na entrega de energia aos consumidores em suas áreas de concessão. Se os centros de dados ampliarem o consumo nessas regiões, elas poderão atender a uma demanda maior pelo serviço de distribuição.

O Safra também vê potencial para Axia e Copel, mas por outra via: pagamentos por capacidade. Esse tipo de remuneração está relacionado à disponibilidade de recursos para atender à demanda do sistema. Na avaliação do banco, um mercado que valorize mais essa capacidade pode favorecer as duas companhias.

O que o Redata pode mudar para os centros de dados

Centros de dados concentram equipamentos que armazenam e processam informações e precisam de fornecimento contínuo de energia. Incentivos fiscais podem reduzir custos de projetos elegíveis e tornar novos investimentos mais atrativos. O regime, porém, não significa que todos os empreendimentos serão feitos: decisões também dependem de fatores como demanda, infraestrutura e condições de cada projeto.

O Safra cita uma estimativa da Agência Internacional de Energia de que o consumo de eletricidade dos centros de dados deve crescer 15% ao ano até 2030. Para o Brasil, o Plano Decenal de Expansão de Energia, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética, projeta 20 GW de capacidade instalada até 2035. O banco avalia que o Redata pode levar esse número a um patamar ainda maior, sem apresentar uma nova estimativa.

Referência dos Estados Unidos indica possível pressão na demanda

Para estimar o efeito sobre o setor elétrico, os analistas usam a experiência dos Estados Unidos como referência. Em um cenário no qual os centros de dados passem de 5% para 8% da demanda total de energia, o Safra calcula um aumento potencial de 2,7% na demanda. Trata-se de uma hipótese de comparação, e não de uma previsão confirmada para o Brasil.

O banco também aponta que os preços de energia em regiões norte-americanas subiram aproximadamente 30% entre 2020 e 2025. O relatório relaciona o movimento, em parte, à maior demanda dos centros de dados, mas ressalva que condições climáticas e custos de combustíveis também podem ter contribuído. Portanto, a alta observada nos Estados Unidos não determina que os preços brasileiros terão o mesmo comportamento.

Como o aumento do consumo pode chegar às elétricas

Se novos centros de dados forem construídos e consumirem mais eletricidade, as distribuidoras poderão ter maior volume de energia para atender em suas áreas. Esse efeito depende da localização dos empreendimentos: uma expansão concentrada em determinadas regiões não beneficia todas as empresas da mesma forma. O material do Safra não quantifica o impacto esperado para cada companhia.

Para Axia e Copel, a possibilidade destacada é a valorização da capacidade disponível para o sistema. O mecanismo é diferente do aumento direto do consumo: considera a importância de contar com recursos capazes de atender às necessidades de energia. A análise identifica uma oportunidade potencial, mas não indica que os pagamentos já tenham aumentado.

O que acompanhar antes de medir os efeitos

Para quem investe, a lista do Safra funciona como um mapa de exposição possível ao tema, não como garantia de resultado para as ações. A concretização dos benefícios depende de o Redata estimular projetos, de eles saírem do papel e de a demanda adicional se traduzir em atividade para as empresas citadas. O relatório não informa uma estimativa de ganhos ou de valorização dos papéis.

Os próximos sinais relevantes são a implementação dos incentivos e a evolução dos projetos de centros de dados no país, à luz da projeção de 20 GW até 2035. Também será importante observar onde a nova demanda se concentra e como o setor remunerará a capacidade de atendimento. Até lá, os efeitos descritos pelo Safra permanecem condicionais, e não uma mudança já confirmada nos resultados das companhias.