As eleições devem ser o principal fator de influência sobre o Ibovespa em outubro, na avaliação de Leandro Nogueira, sócio da Cordier. O resultado do primeiro turno pode ajudar investidores a comparar o cenário político com as pesquisas e a antecipar possíveis efeitos sobre a condução das contas públicas — enquanto juros e entrada de capital estrangeiro também seguem no radar.

Resultado do primeiro turno pode mudar as expectativas

Nogueira afirma que o mercado acompanhará o primeiro turno para avaliar o quanto o resultado se aproxima do que as pesquisas indicavam. Essa comparação pode alterar as apostas sobre os cenários para a disputa presidencial e, por consequência, as expectativas para os ativos brasileiros.

A política, segundo ele, deve continuar no centro das atenções até o fim do período eleitoral. Para quem investe, isso significa que notícias e sinais sobre a disputa podem provocar mudanças na percepção de risco do país, mesmo antes de haver uma definição sobre as políticas do próximo governo.

Alternância de poder poderia gerar reação positiva

O sócio da Cordier considera possível uma alta expressiva da Bolsa no curto prazo caso ocorra uma alternância de poder e investidores associem esse cenário a maior controle das contas públicas. Como referência, ele cita um episódio anterior à chegada de Jair Bolsonaro à Presidência: naquele período, o Ibovespa teve uma oscilação positiva de cerca de 30%.

Esse número é uma lembrança histórica, não uma previsão para outubro nem uma garantia de que uma mudança de governo repetiria o movimento. O efeito dependeria de como o mercado interpretasse o cenário político e as perspectivas para a política fiscal, isto é, para a arrecadação e os gastos do governo.

Sem mudança de governo, foco recai sobre os ajustes fiscais

Em um cenário sem alternância, Nogueira avalia que investidores poderiam entender que o governo atual teria menos disposição para implementar os ajustes fiscais que consideram necessários. Essa leitura poderia afetar a confiança nos ativos brasileiros, embora o resultado dependa das expectativas que se formarem ao longo da disputa.

O debate fiscal importa porque a percepção sobre a capacidade de controlar as contas públicas influencia a confiança de quem financia o governo e investe no país. Assim, a eleição pode afetar a Bolsa não apenas pela troca ou continuidade de poder, mas também pelo que o mercado espera das decisões econômicas futuras.

Juros em queda ajudam a Bolsa, mas não eliminam o risco

Além da política, a Selic é outra variável importante. Nogueira afirma que o mercado espera mais dois cortes de 0,25 ponto percentual nas reuniões do Copom previstas para novembro e dezembro. Se essas reduções ocorrerem, a taxa básica terminaria o ano em 13,25%.

Juros menores tendem a reduzir o rendimento de novas aplicações de renda fixa atreladas às taxas do mercado e podem baratear o crédito, conforme as condições oferecidas por bancos e empresas. Para a Bolsa, podem tornar ações relativamente mais atraentes e reduzir custos de financiamento. Ainda assim, o efeito pode ser limitado se a confiança estiver baixa ou houver preocupação com as contas públicas.

O que acompanhar até o fim do período eleitoral

Nogueira resume as prioridades para outubro como política no curto prazo e confiança e situação fiscal no horizonte mais longo. Também aponta que a expectativa é de continuidade dos cortes de juros em 2027 e 2028, desde que a inflação mostre sinais de arrefecimento. Essas são projeções, não decisões já tomadas pelo Banco Central.

Para quem acompanha o mercado, os próximos sinais relevantes serão a relação entre o resultado eleitoral e as pesquisas, as expectativas para a política fiscal e as decisões do Copom. A combinação desses fatores pode influenciar o comportamento dos ativos brasileiros; a oscilação histórica citada pelo especialista, por si só, não determina o que acontecerá desta vez.

Impacto para a sociedade

A expectativa sobre a política fiscal e os juros pode influenciar o custo do crédito e o retorno de aplicações financeiras, embora não implique uma mudança imediata para as famílias. O resultado eleitoral também poderá afetar as discussões sobre o orçamento e as contas públicas.