O Brasil reúne mercado consumidor, matérias-primas, energia renovável e capacidade industrial para disputar espaço no mercado internacional, afirmou André B. Gerdau Johannpeter nesta quarta-feira (30), no encerramento do Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo. A declaração dá um tom de confiança à discussão sobre os desafios da indústria: para o executivo, o país tem recursos para competir, desde que encontre meios de transformar essas vantagens em produtividade e investimentos.
Os recursos que podem sustentar a competitividade
Presidente do Conselho Diretor do Instituto Aço Brasil e do Conselho de Administração da Gerdau, Gerdau citou a qualidade do minério, a disponibilidade de sucata, água e território como vantagens brasileiras. Também mencionou a energia renovável e um mercado de 218 milhões de consumidores. Esses elementos, segundo ele, dão ao país condições para fortalecer sua indústria e enfrentar concorrentes estrangeiros.
Na siderurgia, a disponibilidade de matérias-primas e energia é relevante porque a produção depende desses insumos. Já um mercado interno amplo pode representar demanda para as empresas. Mas ter recursos não significa, por si só, que produzir no Brasil seja mais barato ou eficiente: a competitividade também depende de custos, produtividade e condições para que novos investimentos sejam realizados.
Gerdau pede reação, não desistência
“Eu não joguei a toalha e tenho certeza que ninguém aqui jogou a toalha porque dá para competir”, declarou o executivo. A frase sintetiza sua defesa de que o país não aceite perder uma indústria forte diante das dificuldades enfrentadas pelo setor.
O desafio, na avaliação de Gerdau, é encontrar as condições e os meios para aproveitar os recursos disponíveis. Isso exige olhar além das vantagens naturais: para converter potencial em produção competitiva, empresas precisam conseguir operar com eficiência e planejar investimentos em um ambiente que permita retorno ao longo do tempo.
Articulação entre empresas e governo entra na agenda
Gerdau defendeu uma atuação conjunta de entidades empresariais e governo para enfrentar problemas de produtividade e competitividade. Também apontou a necessidade de reformas e de condições que ajudem a atrair capital. Não detalhou medidas específicas durante o balanço do congresso.
A discussão importa porque decisões de investimento dependem da expectativa de que projetos consigam operar e competir no futuro. Uma agenda de longo prazo, na visão do executivo, pode aproximar os diagnósticos do setor das ações necessárias para transformar a capacidade industrial do país em resultados concretos.
Congresso termina com diagnóstico e perspectiva positiva
Realizado em São Paulo, o Congresso Aço Brasil 2026 chegou à sua 36ª edição e reuniu representantes da indústria, especialistas e lideranças econômicas em dois dias de programação. O encontro debateu perspectivas para o setor e seu papel no desenvolvimento brasileiro.
Ao avaliar o evento, Gerdau afirmou que o setor saiu com um diagnóstico dos problemas, mas também com confiança na capacidade de transformação do Brasil. Ele disse estar convencido de que lideranças empresariais e governo precisam trabalhar juntos e reforçou: “A nossa indústria vai sobreviver, vai lutar e vai continuar forte.”
O que a fala significa para investimentos e empregos
A declaração é uma avaliação sobre potencial e não o anúncio de um novo investimento, programa ou mudança regulatória. Por isso, não indica, por si só, alteração imediata na produção, nos preços do aço ou nas contratações. O efeito dependerá de medidas e decisões que ajudem a enfrentar os obstáculos apontados pelo setor.
Para quem acompanha a economia, o próximo passo é observar se o apelo por reformas e cooperação entre governo e empresas se traduz em iniciativas concretas. Se as condições para competir melhorarem, a indústria poderá aproveitar mercado, insumos e energia para ampliar sua atuação; até lá, a mensagem de Gerdau é de confiança no potencial brasileiro, acompanhada do reconhecimento de que há desafios a superar.
