André Gerdau afirmou nesta quarta-feira (30) que o Brasil precisa de reformas para aumentar a competitividade da indústria. O presidente do conselho da Gerdau e do Instituto Aço Brasil apontou entraves tributários, trabalhistas e regulatórios como fatores que afetam a produtividade e elevam o chamado Custo Brasil — despesas e dificuldades que pesam sobre as empresas e podem reduzir sua capacidade de competir.

Impostos, regras e burocracia pesam sobre a produção

Entre os pontos citados por Gerdau estão as regras tributárias e trabalhistas, a segurança jurídica e o licenciamento. Na avaliação do executivo, mudanças nesses campos ajudariam a melhorar o ambiente de negócios. O argumento é que custos, demora para obter autorizações e incerteza sobre as regras podem dificultar decisões de investimento e tornar mais caro produzir no país.

O efeito de cada entrave varia. Uma carga tributária complexa pode exigir mais tempo e recursos para cumprir obrigações; já a falta de previsibilidade jurídica pode dificultar o planejamento de projetos de longo prazo. Gerdau também disse que a produtividade brasileira está “estagnada há muitos e muitos anos”. Para a indústria, produzir mais com os recursos disponíveis é uma condição importante para competir em preço e eficiência.

Concorrência de aço importado é preocupação do setor

O executivo apontou as importações como o principal ponto de atenção para a siderurgia. O aço importado chegou a representar 22% do mercado brasileiro nos últimos anos e corresponde a cerca de 18% em 2026. A participação atual é menor que aquele pico citado por Gerdau, embora continue sendo um indicador acompanhado pelo setor.

Em volume, o Brasil importou 5,7 milhões de toneladas de aço em 2025. Esse número se refere ao total daquele ano, enquanto os 18% representam a parcela estimada do mercado em 2026; são medidas diferentes e não devem ser comparadas como se descrevessem a mesma coisa. Importações ampliam a oferta disponível, mas também concorrem com a produção nacional pela demanda dos compradores.

Medidas de defesa ajudam, mas não resolvem, diz executivo

Gerdau avaliou que as medidas de defesa comercial adotadas pelo governo têm ajudado a indústria, mas não solucionam o problema das importações. Essas ações buscam responder a condições de concorrência consideradas desleais ou prejudiciais ao setor. Na avaliação dele, portanto, elas podem oferecer algum apoio, mas não substituem mudanças capazes de melhorar as condições de produção no Brasil.

A posição indica duas frentes distintas no debate: medidas comerciais para lidar com a concorrência externa e reformas para enfrentar custos e obstáculos internos. O executivo não apresentou, nas declarações, uma lista de propostas específicas ou um calendário para mudanças. Sua cobrança foi por melhorias no ambiente de negócios como caminho para a indústria competir.

O que a defesa de reformas significa para empresas e trabalhadores

Para a atividade industrial, regras mais previsíveis e custos menores podem favorecer a produção e os investimentos, mas o alcance de qualquer efeito depende das medidas que venham a ser adotadas. A fala de Gerdau é uma defesa de mudanças, não o anúncio de uma reforma aprovada. Também não há indicação de impacto imediato sobre preços, empregos ou contas das famílias.

Para quem acompanha a economia, os próximos pontos a observar são a eventual discussão de mudanças tributárias, trabalhistas e de licenciamento e a evolução da participação do aço importado. Apesar das preocupações com a concorrência, Gerdau disse ver potencial e otimismo para o setor no médio e longo prazo. A concretização desse cenário, segundo a lógica apresentada, depende tanto das condições para produzir no país quanto da disputa com fornecedores estrangeiros.