O interesse por ações atingiu em setembro o maior nível desde março, segundo a Pesquisa com Assessores da XP: 29% dos entrevistados pretendem aumentar a exposição dos clientes à Bolsa nos próximos meses, 19 pontos percentuais acima do resultado de agosto. A mudança indica uma melhora no apetite por risco, embora a intenção de investir mais ainda não tenha se convertido em uma alteração relevante nas carteiras.

Sentimento em relação à Bolsa também melhora

A percepção dos assessores sobre as ações brasileiras avançou. Em uma escala de zero a dez, a nota média subiu de 5,7 em agosto para 6,8 em setembro, o maior resultado desde maio. Além disso, 61% deram nota igual ou superior a sete, alta de 18 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior.

O movimento acompanha a recuperação das ações brasileiras e sugere uma mudança no humor dos profissionais consultados. A pesquisa, porém, mede opiniões e intenções dos assessores afiliados à XP — não uma movimentação já realizada por todos os investidores atendidos por eles.

Maior disposição para investir não virou mudança nas carteiras

Em setembro, 60% dos assessores disseram que não pretendem alterar a exposição atual dos clientes à renda variável, que reúne ações e outros ativos cujo valor oscila conforme as condições de mercado. Já 11% afirmaram que pretendem reduzir a posição em Bolsa, seis pontos percentuais a menos que em agosto.

A distribuição das carteiras reportada pelos profissionais permaneceu praticamente estável. A parcela de clientes com entre 0% e 10% em ações recuou levemente, para 49%, enquanto a faixa de 10% a 25% subiu para 36%. Juntas, elas somam 85% dos entrevistados, proporção semelhante à de agosto. Assim, a melhora aparece primeiro nas intenções, sem evidência de uma realocação ampla no mês.

Projeção para o Ibovespa sobe, mas indica avanço limitado

A visão mais favorável também elevou a expectativa para o Ibovespa no fim de 2026. A projeção média passou de 172 mil pontos em agosto para 188 mil em setembro. Ainda assim, considerando o índice próximo de 183 mil pontos no momento do levantamento, a estimativa representa uma valorização de cerca de 2,5%.

O número é uma expectativa dos assessores, não uma garantia de desempenho. A pesquisa mostra uma revisão expressiva da projeção, mas o potencial de alta indicado em relação ao patamar atual é modesto. Oscilações na Bolsa podem ocorrer conforme mudam as condições econômicas e as avaliações sobre as empresas.

Renda fixa segue à frente e riscos domésticos preocupam

Mesmo com mais interesse por ações, a renda fixa continuou como a classe preferida: 84% dos assessores demonstraram interesse nesses produtos, sete pontos percentuais acima de agosto e no maior nível desde dezembro de 2024. Ações e fundos imobiliários chegaram a 39% cada. Os dados indicam que o avanço do apetite por risco não eliminou a preferência por investimentos de renda fixa.

Entre as ameaças à Bolsa, os riscos fiscais foram citados por 78% dos entrevistados, percentual praticamente estável ante agosto. A instabilidade política e eleitoral veio em seguida, com 71%. Já os riscos geopolíticos ganharam espaço: foram mencionados por 35%, alta de 17 pontos percentuais no mês. A preocupação com juros locais acima do esperado caiu para 29%.

O que observar nos próximos meses

O setor financeiro liderou as preferências dos assessores, com 74% das indicações, quatro pontos percentuais a mais que em agosto. Elétricas e saneamento apareceram em seguida, com 63%. Ao mesmo tempo, caiu pela metade, para 9%, a parcela sem preferência por um setor específico.

Para quem investe, o dado novo é a maior disposição declarada para elevar a exposição a ações, não uma recomendação nem uma mudança já consolidada nas carteiras. O próximo ponto a observar é se essa intenção se traduzirá em alocações efetivas, enquanto os riscos fiscais e eleitorais continuam no radar dos assessores.