A reorganização da economia global pode abrir ao Brasil uma oportunidade para diversificar parceiros comerciais e ampliar mercados, afirmou Thiago Aragão, CEO da Arko International, nesta terça-feira (29), durante o Congresso Aço Brasil 2026, em São Paulo. Para o executivo, a deterioração das relações entre Estados Unidos e União Europeia tem levado os europeus a procurar novas parcerias, o que pode favorecer o avanço do acordo entre Mercosul e União Europeia.

Tensão entre EUA e Europa pode abrir espaço comercial

A avaliação de Aragão é que mudanças nas relações entre grandes economias podem criar espaço para países que buscam ampliar suas conexões comerciais. No caso do Brasil, a possibilidade apontada pelo executivo é fortalecer relações com a Europa enquanto o bloco procura novas parcerias. Isso, porém, depende de a aproximação se traduzir em avanços concretos nas negociações.

O acordo entre Mercosul e União Europeia é um dos caminhos mencionados por Aragão, mas ele não afirmou que o tratado já esteja concluído ou que sua implementação seja certa. Se houver avanço, a ampliação das relações entre os blocos poderá abrir oportunidades de comércio. Até lá, a mudança nas relações internacionais é uma possibilidade, não um resultado garantido para empresas brasileiras.

Dependência da China concentra riscos para exportadores

Aragão também alertou para a concentração das exportações brasileiras na China. Na visão dele, empresas que dependem exclusivamente das vendas ao mercado chinês ficam mais expostas a decisões tomadas em Pequim. O executivo argumentou que essas decisões podem ter impacto maior sobre os negócios do que medidas adotadas em Brasília.

Buscar outros destinos pode reduzir essa dependência: se uma empresa vende para mais de um mercado, fica menos sujeita às mudanças que afetem apenas um parceiro. Isso não elimina riscos nem garante novos compradores, mas pode diminuir a influência de decisões externas sobre companhias exportadoras. Aragão acrescentou que diversificar também ajudaria a reduzir a exposição às decisões do governo de Donald Trump e às dificuldades do mercado doméstico.

Aço aparece como possível base para a indústria

O CEO da Arko International defendeu que a indústria do aço seja considerada uma das bases de uma nova estratégia de industrialização do país. A proposta é ampliar a presença de setores industriais sem tratar o desempenho do agronegócio como limite para o crescimento de outras atividades.

Na avaliação de Aragão, o sucesso do campo pode funcionar como uma ponte para abrir espaço a novos setores. A ideia conecta a diversificação de parceiros comerciais à diversificação da própria economia brasileira: ampliar mercados pode criar oportunidades para mais segmentos, enquanto uma base produtiva mais variada evitaria concentrar as perspectivas do país em uma única atividade. O executivo, contudo, não detalhou medidas específicas para essa estratégia.

Pragmatismo é apontado como caminho para ampliar relações

Aragão defendeu uma política comercial pragmática, orientada pela busca de oportunidades em diferentes mercados. Na prática, essa abordagem significa não depender de um único parceiro e avaliar possibilidades de aproximação conforme as mudanças no cenário internacional. A fala não representa um anúncio de nova política pública, mas uma avaliação sobre como o Brasil poderia se posicionar diante da reorganização global.

O Congresso Aço Brasil 2026, realizado no Transamérica Expo Center, reúne representantes da indústria, especialistas e lideranças econômicas em sua 36ª edição, ao longo de dois dias. O encontro debate perspectivas para o setor e sua importância para o desenvolvimento brasileiro.

O que a oportunidade significa para empresas e trabalhadores

Por enquanto, a oportunidade descrita por Aragão depende de desdobramentos nas relações entre Europa, Estados Unidos e Brasil, além de eventuais avanços entre Mercosul e União Europeia. Para quem investe, trabalha ou acompanha a economia, a distinção importante é entre uma possibilidade apontada pelo executivo e mudanças já efetivadas no comércio.

O próximo passo a observar é se a busca europeia por novas parcerias levará a avanços nas negociações com o Mercosul e se empresas brasileiras conseguirão ampliar seus destinos de exportação. A fala também recoloca a indústria do aço no debate sobre diversificação produtiva, mas não detalha prazos nem resultados esperados para o setor.