O Brasil gastou US$ 4.133 por aluno do ensino fundamental ao superior em 2023, menos de um terço da média de US$ 13.601 nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). A distância, apontada em estudo divulgado nesta terça-feira (29), contrasta com o esforço medido em relação ao tamanho da economia: o gasto público brasileiro com educação foi equivalente a 4,5% do Produto Interno Bruto (PIB), acima da média de 4% da OCDE.
Gasto como proporção do PIB não mostra o valor por estudante
Os dois indicadores retratam aspectos diferentes. A parcela do PIB mostra quanto o governo destina à educação em relação ao tamanho da economia; o gasto por aluno estima o volume de recursos associado a cada estudante. Assim, uma fatia maior do PIB não significa necessariamente que cada aluno receba mais recursos em termos absolutos.
Em 2023, a média de US$ 13.601 nos países da OCDE foi cerca de 3,3 vezes o valor brasileiro. Em outras palavras, o gasto por aluno no Brasil ficou aproximadamente 70% abaixo da média do grupo. A comparação considera despesas públicas do ensino fundamental ao superior.
Distância aparece também nas etapas iniciais
No ensino fundamental, o gasto por aluno no Brasil foi de US$ 4.064 em 2023, ante US$ 12.893 na média da OCDE. A diferença foi de US$ 8.829 por estudante. Já no ensino médio inferior, etapa identificada dessa forma no estudo, os valores foram de US$ 4.390 no Brasil e US$ 14.291 na média dos países da organização.
O levantamento observa que os gastos governamentais tendem a crescer conforme avança o nível de ensino. No Brasil, o valor por aluno do ensino médio inferior superou o do ensino fundamental, padrão também registrado na maioria dos sistemas analisados. Os montantes ajudam a comparar a escala dos recursos, mas, isoladamente, não medem resultados de aprendizagem nem a eficiência do uso do orçamento.
Salários concentram a maior parte dos gastos correntes
Nas instituições brasileiras de ensino fundamental, 75% das despesas correntes foram destinadas à remuneração de funcionários. Na média da OCDE, a proporção foi de 79%. O restante correspondeu a outros gastos correntes, segundo o estudo. Os percentuais se referem à composição das despesas, não ao valor total gasto por aluno.
O relatório também trata da disponibilidade de professores. Em 2024/25, 9% dos docentes do ensino fundamental e médio em instituições públicas brasileiras não estavam totalmente qualificados, proporção próxima à média de 9,1% da OCDE. A definição abrange profissionais que ainda não cumprem todos os requisitos nacionais para serem reconhecidos como plenamente qualificados.
Comparação reúne sistemas com dados disponíveis
Os números estão no “Education at a Glance 2026”, compilação anual da OCDE que reúne estatísticas comparáveis sobre educação. A análise apresentada considera 20 sistemas educacionais com dados disponíveis. O Brasil não é membro da organização, mas participa do programa de Indicadores de Sistemas Educacionais, que permite sua inclusão em levantamentos.
O estudo destaca ainda que a falta de professores varia entre disciplinas, escolas e regiões. Embora as vagas não preenchidas representassem menos de 4% da força de trabalho combinada do ensino fundamental e médio nos 20 sistemas com dados, 11 dos 16 países e economias com informações relataram escassez de docentes de matemática e ciências plenamente qualificados no ensino médio.
O que os dados indicam para o debate educacional
Para quem acompanha o orçamento público, o dado central é que o esforço proporcional ao PIB não elimina a diferença de recursos por estudante em relação à média da OCDE. A comparação pode ajudar a orientar discussões sobre financiamento e prioridades, mas não permite concluir, por si só, qual seria o gasto necessário nem quais medidas melhorariam o ensino.
O próximo passo é observar como governos e sistemas educacionais enfrentam desafios de financiamento e de recrutamento e qualificação de professores. Para as famílias, os indicadores oferecem contexto sobre os recursos associados à educação pública; não representam, sozinhos, uma previsão de mudanças imediatas nas escolas ou nos resultados dos alunos.
Impacto para a sociedade
O gasto público por aluno ajuda a dimensionar os recursos disponíveis para escolas e instituições de ensino, embora não determine sozinho a qualidade da educação. A comparação também informa o debate sobre o orçamento público e a capacidade de financiar serviços educacionais para a população.
