A queda das commodities acrescentou pressão ao Ibovespa nesta terça-feira, 29, em um pregão já marcado por cautela com a disputa eleitoral e o cenário externo. Os contratos futuros de petróleo recuavam mais de 1%, enquanto o minério de ferro caiu 0,78% em Dalian, na China. Por volta das 11h31, o principal índice da Bolsa brasileira cedia 0,59%, aos 181.979,41 pontos.

Petróleo e minério pressionam ações de empresas ligadas a matérias-primas

Quando o preço do petróleo cai, investidores podem rever as expectativas de receita e de valor de mercado das petroleiras. No pregão da manhã, as ações preferenciais da Petrobras recuavam 0,43%, e as ordinárias, 0,87%. A baixa dos contratos futuros também se soma ao comportamento recente da commodity, que permanece em patamar elevado em meio às preocupações com o conflito entre Estados Unidos e Irã.

O minério de ferro mais barato pode pesar sobre as expectativas para empresas de mineração, porque reduz a perspectiva de receita obtida com a venda do produto. As ações da Vale cediam 2,14% no mesmo horário. Esses papéis têm peso relevante na Bolsa, de modo que sua queda pode contribuir para o recuo do índice, embora outros fatores também influenciem o desempenho diário.

Eleição acirrada mantém investidores atentos às pesquisas

A disputa presidencial é outro foco de incerteza. Pesquisa Atlas divulgada nesta terça-feira apontou Luiz Inácio Lula da Silva com 45,3% das intenções de voto no primeiro turno, ante 42,2% de Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, Flávio aparecia com 47,7%, contra 47,6% de Lula, em empate técnico.

Além das pesquisas, investidores acompanham o debate sobre as contas públicas. Entre as preocupações citadas no mercado está a possibilidade de aumento do Bolsa Família, com custo superior a R$ 20 bilhões em 2027. A avaliação sobre os gastos do governo pode afetar as expectativas para a dívida e para os juros, influenciando a disposição de investidores a assumir riscos em ativos brasileiros.

Inflação e emprego entram na conta dos juros

Os dados econômicos divulgados no Brasil também ajudam a explicar a cautela. O IGP-M subiu 1,57% em setembro, depois de recuar 0,22% em agosto. A alta mensal foi maior que a mediana das projeções, de 1,54%, e levou o índice a acumular avanço de 3,34% em 12 meses.

Já a taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, em linha com as expectativas. Um mercado de trabalho aquecido tende a sustentar o consumo, mas também pode manter a demanda e a inflação mais resistentes. Isso pode limitar uma redução mais rápida dos juros, com efeitos sobre o custo do crédito e a atratividade relativa das aplicações de renda fixa e das ações.

Ibovespa chegou a recuar 0,78% durante a manhã

Às 11h31, o índice caía 0,59%, mas chegou a perder 0,78%, ao marcar 181.562,24 pontos. Na abertura, estava em 182.993,14 pontos, praticamente no nível da máxima da manhã, de 182.996,68. Na sessão anterior, havia encerrado em baixa de 0,26%, aos 182.991,13 pontos.

O movimento não foi uniforme entre os papéis. Entre os bancos, o Banco do Brasil avançava 0,88%, enquanto ações da Azzas subiam 5,67%, em meio à queda dos juros futuros. Esses contratos refletem as expectativas do mercado para as taxas de juros adiante; sua baixa pode favorecer empresas mais sensíveis ao custo de financiamento, sem garantir alta generalizada da Bolsa.

Commodities, dados e pesquisas seguem no radar

Para quem investe, a sessão mostra como oscilações em matérias-primas podem se somar a fatores locais e externos na formação dos preços das ações. A queda do petróleo e do minério pressionou empresas ligadas a esses produtos, mas o índice também reagiu às incertezas eleitorais, às preocupações fiscais e às expectativas sobre inflação e juros.

O mercado ainda aguardava a divulgação do Caged, indicador de emprego formal, e acompanhava novas pesquisas eleitorais às vésperas do primeiro turno. A direção das commodities e os próximos dados podem alterar as expectativas dos investidores; para trabalhadores e consumidores, inflação, emprego e juros são os canais mais diretos de transmissão para o custo de vida e o crédito.

Impacto para a sociedade

A queda do petróleo pode aliviar custos de combustíveis e transporte se persistir, mas não significa redução imediata de preços para o consumidor. Já os dados de inflação e emprego ajudam a indicar como podem evoluir o custo de vida e as decisões sobre juros.