O avanço do trabalho informal acompanhou a queda do desemprego para 5,3% no trimestre encerrado em agosto, a menor taxa para esse período desde 2012. Ao mesmo tempo que mais brasileiros estavam ocupados, aumentou a proporção de trabalhadores sem garantias típicas do emprego formal: a informalidade passou de 37,3% para 37,5% da população ocupada. O contraste mostra que ter trabalho não significa, necessariamente, contar com carteira assinada e proteção trabalhista.
Informalidade sobe mesmo com mais pessoas trabalhando
A taxa de informalidade chegou a 37,5%, o equivalente a 38,8 milhões de pessoas no trimestre até agosto. Três meses antes, no período encerrado em maio, eram 37,3%. O IBGE considera informais trabalhadores sem carteira assinada e autônomos ou empregadores sem CNPJ.
Esse grupo não tem garantias associadas ao vínculo formal, como seguro-desemprego, férias e 13º salário. A informalidade, porém, não significa que todos deixem de contribuir para a Previdência: o levantamento também contabiliza quem faz contribuições por conta própria. Ainda assim, a alta indica que uma parcela maior dos ocupados está trabalhando sem as proteções ligadas ao emprego formal.
Ocupação bate recorde, com indústria e construção em alta
A população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, recorde da série. O número cresceu 0,8% — mais 774 mil trabalhadores — em relação ao trimestre até maio. Já a população desocupada recuou 4,6% no mesmo intervalo, para 5,8 milhões de pessoas.
Indústria geral e construção puxaram a expansão da ocupação. Na comparação com o trimestre até maio, a indústria cresceu 2%, com mais 265 mil pessoas trabalhando, enquanto a construção avançou 4,1%, ou 306 mil ocupados a mais. A taxa de 5,3% é a menor para um trimestre encerrado em agosto desde 2012, mas não é o menor resultado geral da série: o piso foi de 5,1%, no último trimestre de 2025.
Renda e contribuições também atingem marcas elevadas
O rendimento médio mensal foi de R$ 3.777 no trimestre até agosto, ante R$ 3.752 no período até maio. O recorde continua sendo o de R$ 3.804, registrado no primeiro trimestre de 2026. Já a massa salarial, soma dos rendimentos de todos os trabalhadores, chegou a R$ 385,6 bilhões, alta de 1,4% em três meses e de 4,8% em um ano.
O total de contribuintes para institutos de Previdência alcançou 68,5 milhões, também recorde. Isso representa 66,2 contribuintes a cada 100 trabalhadores. A renda do trabalho sustenta consumo, pagamento de dívidas e poupança, mas o resultado agregado não elimina as diferenças entre quem tem vínculo formal, contribui por conta própria ou está em ocupações mais vulneráveis.
Crédito caro pressiona famílias apesar do emprego aquecido
O quadro de ocupação elevada convive com dificuldades no orçamento doméstico. Em agosto, a inadimplência média nas operações de crédito subiu para 5%, maior nível desde o início da série do Banco Central, em março de 2011. Economistas apontam que o emprego ajuda a sustentar renda e consumo, enquanto juros altos por mais tempo encarecem o crédito e podem contribuir para a desaceleração da atividade e o aumento dos atrasos.
Para quem trabalha, o dado novo é que a melhora do desemprego não veio acompanhada de uma redução da informalidade; para quem consome, renda maior pode ajudar, mas não neutraliza o custo do crédito. Acompanhar os próximos resultados do mercado de trabalho, da renda e da inadimplência será importante para avaliar se a ocupação continua avançando e se esse crescimento se traduz em empregos com maior proteção.
Impacto para a sociedade
A queda do desemprego indica que mais pessoas conseguiram trabalhar, mas o avanço da informalidade aponta que parte delas pode estar sem carteira e sem benefícios como férias e 13º salário. A renda e o consumo também convivem com crédito caro e inadimplência recorde, o que afeta o orçamento das famílias.
