As ações da CSN e de sua divisão de mineração caíam nesta terça-feira (29) após a empresa reduzir a previsão de produção de minério para 2026 e anunciar ajustes na operação de Pires, em Ouro Preto (MG). O corte reforçou a preocupação com as margens da mineradora em um cenário de frete caro e pressionou especialmente a ação da controladora, cuja geração de caixa depende em parte relevante da mineração.

Previsão de produção caiu e custo por tonelada subiu

A CSN Mineração reduziu sua estimativa de produção de 45 milhões a 47 milhões de toneladas para 39 milhões a 41 milhões de toneladas em 2026. A companhia também informou que vai diminuir temporariamente a produção de minério de baixa qualidade na unidade de Pires e revisar para baixo o volume de compras previsto para o ano.

Além do menor volume esperado, houve revisão para cima da projeção de custo por tonelada: de US$ 22 a US$ 23,50 para US$ 25 a US$ 26. A combinação de menos minério produzido e custo maior tende a limitar a geração de caixa, sobretudo quando o transporte até os compradores também encarece.

Frete reduz a margem do minério brasileiro

O frete entre Brasil e China estava perto de US$ 43 por tonelada, enquanto o minério era negociado em torno de US$ 97 por tonelada. Como o custo do transporte é descontado da receita obtida com a venda, o valor que sobra para cobrir os demais custos e gerar margem fica menor. Para o minério de qualidade mais baixa, essa conta pode deixar de compensar a produção.

Segundo avaliações de analistas, o preço do minério depois do desconto do frete recuou cerca de 28% em relação à média do segundo trimestre de 2026. A notícia não foi considerada uma surpresa completa, pois os custos logísticos já apontavam para esse risco, mas tornou mais concreta a possibilidade de que parte da produção brasileira de menor margem perca viabilidade.

CSNA3 sente mais o impacto do que CMIN3

Por volta das 11h24, no horário de Brasília, CSNA3 recuava 9,68%, a R$ 5,41, enquanto CMIN3 caía 3,37%, a R$ 4,88. A diferença reflete, entre outros fatores, o peso da mineração para a empresa controladora: a atividade responde por algo entre um terço e metade do Ebitda da CSN, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortização.

A queda pode ser amplificada na ação da holding porque a companhia tem dívida líquida de R$ 42,1 bilhões, e a participação da mineração é relevante para seu caixa. Analistas também apontaram a demora na venda da CSN Cimentos como um fator de pressão. Já a reação menor de CMIN3 foi relacionada à desvalorização acumulada de cerca de 21% desde 15 de setembro.

Pressão atinge outras empresas do setor

O movimento ocorreu em uma sessão negativa para o setor minero-metalúrgico. Entre os fatores citados estavam a queda do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China, e a redução da produção de aço chinesa. A combinação preocupa porque a demanda por minério depende da atividade siderúrgica, enquanto preços menores reduzem a receita esperada pelas produtoras.

O petróleo Brent acima de US$ 100 por barril e o conflito no Oriente Médio também foram apontados como pressões sobre os custos logísticos. Fretes elevados podem tornar menos rentáveis as vendas para destinos distantes e levar empresas a rever planos de produção e investimentos. Por isso, o corte da CSN Mineração foi lido dentro de um quadro mais amplo de custos e preços desfavoráveis ao setor.

Frete e preço do minério serão decisivos

O próximo ponto de atenção é saber se o custo de transporte permanecerá perto dos níveis atuais e como o preço do minério e a demanda chinesa vão evoluir. Se o frete continuar elevado, a pressão pode deixar de ser apenas temporária e afetar também as estimativas para 2027, segundo analistas. Uma recuperação das margens dependeria de uma melhora na relação entre preço da commodity e custo logístico.

Para quem acompanha as ações, o episódio mostra como uma mudança na operação de uma divisão pode repercutir de forma diferente na mineradora e na controladora, especialmente quando a atividade tem grande peso no caixa do grupo. A reação dos papéis e as próximas projeções da companhia devem continuar sensíveis ao frete, ao minério e à perspectiva de venda da CSN Cimentos; o movimento, por si só, não determina o resultado futuro das empresas.