A taxa de desemprego ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto de 2026, segundo a Pnad Contínua divulgada nesta terça-feira (29) pelo IBGE. O índice recuou 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre até maio e ao mesmo período de 2025, e foi o menor para um trimestre até agosto desde o início da série histórica, em 2012. Ao mesmo tempo, o total de pessoas ocupadas atingiu um recorde, sinal de que o mercado de trabalho segue aquecido.

O número de ocupados chegou a 103,5 milhões

A população ocupada somou 103,5 milhões de pessoas entre junho e agosto, alta de 0,8% ante o trimestre anterior, ou 774 mil trabalhadores a mais. Em um ano, o avanço foi de 1%, equivalente a 1,1 milhão de pessoas. O nível de ocupação, que mede a parcela da população em idade de trabalhar que está empregada, subiu de 58,6% para 58,9% no trimestre e ficou praticamente estável na comparação anual.

Já a população desocupada foi de 5,8 milhões, uma redução de 281 mil pessoas frente ao trimestre encerrado em maio. Na comparação com junho a agosto de 2025, houve queda de 300 mil. A força de trabalho — que reúne quem está empregado e quem procura emprego — também chegou ao maior contingente da série, com 109,3 milhões de pessoas.

Emprego com carteira ficou estável

O número de empregados do setor privado com carteira assinada, sem contar trabalhadores domésticos, foi de 39,5 milhões, o maior da série histórica. Apesar do recorde, o total não teve variação significativa frente ao trimestre anterior nem na comparação com um ano antes. Também ficaram estáveis os contingentes de empregados sem carteira, com 13,7 milhões, e de trabalhadores por conta própria, com 26,1 milhões.

O avanço da ocupação no trimestre se concentrou especialmente na Indústria Geral, que empregou mais 265 mil pessoas, alta de 2%, e na Construção, com aumento de 306 mil trabalhadores, ou 4,1%. Em um ano, o destaque foi Transporte, armazenagem e correio, cujo contingente cresceu 6,1%, equivalente a 358 mil pessoas.

Renda real subiu, mas informalidade avançou levemente

O rendimento real habitual — valor recebido já descontada a inflação — foi de R$ 3.777. Ficou estável em relação ao trimestre anterior, mas cresceu 3,7% em um ano. A massa de rendimentos, que soma os ganhos habituais dos trabalhadores, alcançou R$ 383,6 bilhões: alta de 1,4% no trimestre e de 4,8% em 12 meses, ou R$ 17,5 bilhões a mais no ano.

A informalidade passou de 37,3% no trimestre até maio para 37,5% no período encerrado em agosto, o equivalente a 38,8 milhões de trabalhadores. Ainda assim, ficou abaixo dos 38% registrados um ano antes. A população desalentada, formada por quem desistiu de procurar emprego, somou 2,4 milhões e recuou 11,9% na comparação anual.

O que os dados significam para trabalhadores e para a economia

Mais pessoas ocupadas e rendimentos maiores tendem a sustentar o consumo das famílias, porque ampliam a renda disponível para despesas do dia a dia. Esse movimento também pode alimentar a demanda por produtos e serviços. Para a economia, portanto, o mercado de trabalho combina um sinal positivo de geração de renda com uma possível pressão sobre a procura, que é acompanhada na avaliação da inflação.

Para quem trabalha, o recorde de ocupação indica um cenário mais favorável do que há um ano, mas não significa que todos os empregos ofereçam carteira assinada ou rendimentos maiores. A parcela informal continua elevada, e a quantidade de empregos formais permaneceu estável no período. Os próximos resultados da Pnad mostrarão se a queda do desemprego e o avanço da renda se mantêm nos meses seguintes.

Impacto para a sociedade

A taxa menor e o recorde de pessoas trabalhando indicam um mercado de trabalho mais favorável para quem busca emprego. A renda média real avançou no ano, o que pode ampliar o poder de compra das famílias, embora a informalidade ainda represente mais de um terço dos ocupados.