A WEG (WEGE3) anunciou um plano de US$ 165 milhões, cerca de R$ 840 milhões, para ampliar a produção de geradores na América do Norte, mirando a demanda ligada à expansão de data centers. A companhia também elevou de R$ 280 milhões para R$ 330 milhões o investimento em sua fábrica de baterias em Itajaí (SC), reforçando sua capacidade para atender ao crescimento do armazenamento de energia.
Plano prevê multiplicar a produção de geradores
O projeto de geradores será executado em duas fases. A primeira prevê US$ 24 milhões para comprar e adaptar um prédio industrial próximo ao parque fabril de Quma I, em Atotonilco de Tula, no México. A unidade será voltada à montagem de geradores, com início das operações previsto para o segundo trimestre de 2027.
Na segunda etapa, a WEG planeja investir US$ 141 milhões na construção de duas instalações industriais na América do Norte, em local ainda a ser definido. A proposta é criar uma estrutura verticalizada, que reúna diferentes etapas de fabricação, como lâminas, bobinas de baixa e média tensão, eixos e carcaças. Concentrar processos pode aumentar a eficiência e a competitividade da produção.
Com a conclusão dessa fase, prevista para 2030, a empresa estima chegar a cerca de 50 geradores por dia em suas fábricas no México, nos Estados Unidos, no Brasil e na China. A capacidade atual é de 10 por dia; portanto, a meta representa cinco vezes o nível de produção de hoje.
Data centers ampliam demanda por energia
O investimento busca atender aplicações críticas nos Estados Unidos, com demanda impulsionada pela expansão de data centers. Essas instalações precisam de fornecimento de energia para manter suas operações, o que amplia a necessidade de equipamentos de geração. O anúncio também está relacionado à estratégia de crescimento dos negócios incorporados pela WEG com a aquisição da Marathon.
A expansão ocorre em um momento em que a capacidade produtiva é apontada como um limite para o setor de equipamentos elétricos. Uma carteira de pedidos aquecida não se converte automaticamente em entregas mais rápidas: sem ampliar fábricas e processos, a produção não consegue avançar no mesmo ritmo da demanda. O aumento de capacidade pode permitir que a WEG atenda a mais pedidos, embora o resultado dependa da execução dos projetos e da evolução do mercado.
Fábrica de baterias terá investimento maior
No Brasil, a empresa ampliou o projeto de sua unidade de armazenamento de energia em baterias, conhecido pela sigla BEES. O aporte passou de R$ 280 milhões para R$ 330 milhões, um acréscimo de R$ 50 milhões, ou cerca de 18% sobre o valor anunciado inicialmente. A fábrica está em construção em Itajaí e deve começar a operar no segundo semestre de 2027.
A capacidade prevista é de 4 gigawatts-hora por ano. A WEG antecipou a ampliação de olho no primeiro Leilão de Reserva de Capacidade de Armazenamento Nacional, marcado para dezembro de 2026. O certame pode abrir espaço para a contratação de soluções de armazenamento, mas o material disponível não detalha contratos ou receitas já assegurados para a companhia.
Como as baterias podem ajudar o sistema elétrico
A geração solar e eólica varia conforme as condições naturais e nem sempre coincide com os horários de maior consumo. As baterias podem guardar energia quando há excedente e devolvê-la à rede quando a demanda aumenta. Esse mecanismo ajuda a equilibrar a oferta e o consumo e pode contribuir para a estabilidade do sistema.
O armazenamento também pode adiar parte dos investimentos necessários em transmissão e em capacidade de geração, embora não elimine essas necessidades. Para a WEG, a ampliação da fábrica cria capacidade para disputar projetos nesse segmento; para o setor elétrico, a efetividade dependerá da contratação e da integração dessas soluções à rede.
O que acompanhar nos próximos anos
Os marcos mais próximos são o início da operação da unidade mexicana, previsto para o segundo trimestre de 2027, e a entrada em funcionamento da fábrica de baterias no segundo semestre daquele ano. Já a expansão maior dos geradores tem horizonte até 2030. Prazos, investimentos e capacidade são planos anunciados pela companhia, não produção já realizada.
Analistas citados no material veem armazenamento e data centers como vetores de crescimento para a WEG, mas as avaliações sobre as ações divergem: o Citi tem recomendação neutra, enquanto o BTG indica compra. Para quem acompanha a empresa, o ponto prático será observar se a expansão sai do papel e se a demanda se transforma em entregas e resultados. Os anúncios, por si só, não garantem retorno financeiro nem definem o desempenho futuro das ações.
