Empresas não financeiras elevaram de 4% para 4,5% a mediana da projeção para o IPCA de 2027 e reduziram de 1,8% para 1,5% a estimativa para o crescimento do PIB no mesmo ano. Os números são da pesquisa Firmus do Banco Central, referente ao terceiro trimestre de 2026. As respostas mostram expectativas empresariais, não uma previsão oficial nem uma confirmação de como a economia vai se comportar.
Inflação esperada aumenta para 2027
A mediana das projeções para o IPCA, índice que mede a inflação oficial, ficou em 5% para 2026, sem mudança em relação à pesquisa de maio. Para 2027, subiu de 4% para 4,5%. Já para 2028, permaneceu em 4%. A pesquisa também calcula a média das respostas: para 2027, ela avançou de 4,29% para 4,52%; para 2026, foi de 4,83% para 4,95%; e, para 2028, de 4% para 4,18%.
Além da alta da projeção central, aumentou a diferença entre as respostas sobre a inflação de 2027. O desvio-padrão passou de 0,63 para 0,83 ponto percentual entre maio e agosto, indicando maior dispersão. Metade das projeções ficou entre 4% e 5%. A incerteza importa porque empresas podem considerar a inflação esperada ao planejar preços, salários e custos, embora isso não determine sozinho o resultado futuro.
Perspectiva para o PIB de 2027 perde força
Para 2026, a mediana de crescimento do PIB subiu de 1,8% para 1,9%. A média das respostas passou de 1,74% em maio para 1,83% em agosto. No ano seguinte, ocorreu o movimento oposto: a mediana caiu de 1,8% para 1,5%, enquanto a média recuou de 1,77% para 1,50%.
Na prática, o PIB representa o conjunto de bens e serviços produzidos no país. Uma estimativa menor de expansão sugere que as empresas esperam uma atividade menos intensa em 2027. Isso pode influenciar decisões de produção e contratação, mas a pesquisa não indica, por si só, que haverá queda na economia ou redução de empregos.
Câmbio e crédito também mostram cautela
A mediana para o câmbio daqui a seis meses aumentou de R$ 5,15, na rodada de maio, para R$ 5,20 em agosto. A média avançou de R$ 5,14 para R$ 5,27. Segundo o Banco Central, foi a primeira alta da média após cinco trimestres consecutivos de queda. A pesquisa registra expectativas das empresas, e não a cotação efetiva do dólar.
A percepção sobre a situação econômica atual piorou pela segunda rodada seguida. Também recuou, pelo segundo trimestre consecutivo, o indicador de expectativa para o desempenho do próprio setor nos 12 meses seguintes, que chegou ao menor nível da série. A oferta percebida de crédito caiu novamente e o índice agregado permaneceu abaixo de 100 pontos, referência considerada neutra.
Custos sobem, enquanto empresas avaliam a inteligência artificial
As expectativas de reajustes salariais e de custos trabalhistas para os 12 meses seguintes passaram de 4,9% em maio para 5,2% em agosto. A projeção de custos com matérias-primas e insumos também subiu, de 5% para 5,2%. Já a intenção de aumentar preços acima do IPCA moderou depois da alta da rodada anterior, e as margens de lucro esperadas ficaram estáveis, após recuo acentuado em maio.
A pesquisa incluiu perguntas sobre inteligência artificial (IA). As aplicações mais frequentes citadas foram análise, classificação e processamento de dados, além de produção e análise de textos. Ainda assim, 64% das empresas disseram não ter estimativas quantitativas do efeito líquido da tecnologia sobre custos médios ou volume produzido. Entre as que medem os resultados, predomina a percepção de ganho no volume produzido.
O que os dados sinalizam para os próximos meses
As respostas da Firmus ajudam a acompanhar como as empresas planejam seus negócios diante de inflação, atividade e crédito, mas não equivalem a decisões já tomadas sobre preços ou investimentos. A alta da expectativa de inflação para 2027 e a redução da projeção de crescimento naquele ano apontam preocupações diferentes, mas simultâneas: custos mais pressionados e perspectiva de atividade mais moderada.
Para quem consome ou trabalha, a pesquisa não muda diretamente preços, salários ou emprego. O próximo passo é observar se essas expectativas se confirmam em indicadores efetivos de inflação e atividade e se as empresas alteram seus planos. Para investidores, os dados oferecem um retrato das percepções empresariais, sem indicar, isoladamente, o desempenho futuro de ativos ou setores.
Impacto para a sociedade
A projeção mais alta para o IPCA não significa que os preços já subiram nesse ritmo, mas indica que empresas esperam inflação mais persistente. Se essa expectativa influenciar reajustes de produtos e salários, pode afetar o custo de vida e o poder de compra. A estimativa menor para o PIB aponta uma perspectiva mais fraca de crescimento, que pode limitar a expansão da atividade e dos negócios.
