O dólar à vista voltou a superar R$ 5,20 nesta segunda-feira (28), em meio à valorização da moeda americana diante de divisas de países emergentes e à repercussão de uma nova pesquisa eleitoral no Brasil. Às 9h04, a cotação avançava 0,39%, a R$ 5,201; na sexta-feira, havia fechado em queda de 0,19%, a R$ 5,1834.

Moeda americana também avança ante divisas emergentes

A alta do dólar não foi restrita ao real: a moeda dos Estados Unidos também ganhava valor em relação a outras divisas de países emergentes. Quando investidores buscam dólares, seja por maior cautela ou por mudanças nas condições externas, a procura pela moeda pode pressionar as cotações em mercados como o brasileiro.

O movimento, porém, descreve a abertura do mercado, não o resultado definitivo do dia. Às 9h04, o dólar futuro para outubro, contrato mais negociado na B3, subia 0,16%, a R$ 5,202. Esse tipo de contrato acompanha expectativas para a moeda em uma data futura e pode oscilar de forma diferente do dólar à vista.

Pesquisa eleitoral entra no radar dos investidores

O levantamento BTG/Nexus, divulgado no início da manhã, apontou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ampliou a vantagem sobre o senador Flávio Bolsonaro nas intenções de voto para o primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, a diferença entre os dois ficou em dois pontos percentuais, ainda dentro da margem de empate técnico.

Pesquisas podem influenciar as expectativas do mercado porque investidores acompanham como os cenários eleitorais podem se relacionar com as políticas econômicas futuras. Isso não significa que uma sondagem determine a direção do câmbio: a cotação também responde a fatores externos e a mudanças na procura por reais e dólares. Uma nova pesquisa da Quaest estava prevista para esta segunda-feira.

Focus eleva estimativa de inflação pelo segundo levantamento seguido

O Boletim Focus, compilação de projeções do mercado divulgada pelo Banco Central, mostrou que a estimativa para a inflação de 2026 subiu pela segunda semana consecutiva. A mediana passou de 4,92% para 4,99%, uma elevação de 0,07 ponto percentual em relação à semana anterior.

Para o mesmo ano, as projeções apontaram dólar a R$ 5,20, crescimento de 1,86% para o Produto Interno Bruto (PIB) e Selic em 13,50%. São estimativas, não resultados garantidos. A revisão da inflação indica que os participantes consultados esperam uma alta de preços maior do que previam no levantamento anterior.

O que os números dizem — e o que não dizem

A cotação acima de R$ 5,20 às 9h04 representa uma alta de 1,76 centavo frente ao fechamento de sexta-feira. Esse recorte mostra a reação inicial do mercado, mas não permite concluir que o dólar permanecerá nesse nível ou que a pesquisa eleitoral, isoladamente, causou a variação.

Também é importante separar o preço negociado no momento das projeções do Focus. O valor de R$ 5,20 para o dólar em 2026 é uma mediana de expectativas para o fim do ano, enquanto R$ 5,201 era a cotação à vista observada na manhã desta segunda-feira.

Próximos dados podem mudar a leitura do câmbio

Para quem investe, consome ou acompanha a economia, o principal é observar se a alta se mantém ao longo da sessão e como o dólar reage aos fatores externos e às novas informações políticas. Uma oscilação de uma manhã, por si só, não determina a trajetória da moeda nem o efeito sobre preços no país.

O mercado ainda aguardava a divulgação da pesquisa Quaest. A cotação do dólar e as próximas edições do Focus poderão mostrar se as expectativas sobre inflação e cenário econômico continuam mudando. O boletim desta segunda-feira, por enquanto, registra alta nas projeções de preços e mantém a estimativa da Selic em 13,50% para 2026.