A Inter Asset vê oportunidades em empresas que, na avaliação da gestora, ficaram baratas porque perderam espaço nas carteiras em meio aos juros elevados e às incertezas sobre a eleição de 2026. Entre os papéis citados estão Petrobras, Vibra e Allos. A estratégia é analisar os negócios individualmente, em vez de apostar na direção do Ibovespa.
Juros altos deixaram ações fora do radar
Daniel Castro, CEO da Inter Asset, afirma que a parcela dos fundos de pensão aplicada em renda variável está em torno de 6%, um dos menores níveis dos últimos 25 anos. Com os juros altos, investidores encontraram alternativas atraentes na renda fixa e no crédito, enquanto algumas ações ficaram menos procuradas.
Esse ambiente pode pressionar as cotações: quando aplicações de renda fixa oferecem retornos elevados, as ações precisam parecer mais baratas para competir pela atenção dos investidores. Além disso, incertezas fiscais e políticas podem aumentar a cautela. Para a gestora, porém, a baixa procura também abre espaço para encontrar empresas cujo preço na bolsa não reflete, em sua leitura, o valor dos negócios.
Dois fundos seguem caminhos diferentes
Na bolsa, o trabalho do gestor Rafael Maciel se concentra nos fundos Inter Dividendos e Inter Valor. O primeiro reúne dez empresas com capacidade de devolver recursos aos acionistas por meio de dividendos, juros sobre capital próprio ou recompra de ações. A gestora informa que o fundo acumulou valorização de cerca de 150% nos 12 meses até setembro de 2026 e estima capacidade de alocação superior a R$ 3 bilhões.
O Inter Valor, por sua vez, tem 23 ações e busca companhias negociadas abaixo do que a gestora calcula como seu valor justo. A diferença entre cotação e avaliação é um ponto de partida, não uma garantia de recuperação: Maciel diz que a prioridade é evitar perdas. A Inter Asset administra cerca de R$ 24 bilhões e, segundo Castro, pretende expandir o negócio entre 25% e 30% ao ano, com atuação também em renda fixa, crédito, imóveis e fundos de recebíveis.
Vibra e Allos concentram teses distintas
Na Vibra, a tese apresentada por Maciel está ligada ao mercado de combustíveis. Segundo o gestor, a Petrobras reduziu a importação de diesel por não acompanhar a paridade internacional, o que limita a oferta no país e pode favorecer distribuidoras locais. A posição, portanto, depende da dinâmica de abastecimento e de como ela afeta as empresas do setor.
Para a Allos, que atua com shopping centers, o argumento é a diferença entre o valor atribuído aos ativos em transações privadas e o preço implícito na cotação da companhia. Maciel afirma que participações em shoppings foram negociadas no mercado privado por valores próximos ao dobro do que a cotação da empresa sugeriria. Na visão da gestora, essa distância pode indicar que a ação está barata; a comparação, contudo, não elimina riscos nem assegura que os preços se aproximem.
O que a estratégia exige de quem acompanha a bolsa
A Inter Asset também cita Petrobras entre as posições de uma ou das duas estratégias, sem detalhar no material a participação de cada papel em cada fundo. A abordagem descrita não parte de uma previsão para o próximo movimento do Ibovespa: envolve examinar empresas, seus planos e a evolução dos negócios para distinguir uma cotação baixa de uma deterioração real dos fundamentos.
Para quem investe, o anúncio revela as teses da gestora, mas não determina o desempenho futuro das ações. Juros, cenário político, oferta de combustíveis e avaliação dos ativos imobiliários podem influenciar os resultados. A própria Inter Asset diz buscar oportunidades de longo prazo em um mercado pouco alocado em ações; a evolução dessas condições é o que poderá confirmar ou contrariar as avaliações apresentadas.
