As ações do Magazine Luiza (MGLU3) ganharam fôlego e lideraram as altas do Ibovespa na semana, com valorização de 15,56%. Na outra ponta, a Natura (NATU3) ficou na lanterna do índice. O contraste ocorreu em cinco pregões marcados por incertezas sobre juros e eleições: o Ibovespa caiu 0,95%, fechou aos 183.476,86 pontos e acumulou a segunda semana consecutiva de perdas.

Anvisa e avaliação de crédito impulsionaram o Magazine Luiza

O avanço da varejista foi associado à decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) de revogar uma medida que proibia a comercialização, a distribuição e a propaganda de medicamentos pela empresa. A reversão retirou um impedimento regulatório que afetava uma frente de atuação da companhia.

Também contribuiu para o ambiente favorável a reafirmação, pela S&P National Ratings, da nota de crédito brAA- do Magazine Luiza. A agência manteve perspectiva estável e apontou expectativa de melhora operacional. A avaliação, porém, não significa que a empresa já tenha apresentado essa melhora nos resultados.

Natura e farmacêuticas concentraram as perdas

A Natura registrou a maior queda entre as ações do Ibovespa no período, embora o material disponível não detalhe a variação percentual do papel nem explique um fator específico para o desempenho. A pressão sobre a companhia veio acompanhada de recuo em bloco entre empresas farmacêuticas.

As ações da RD Saúde (RADL3), por exemplo, perderam mais de 10% na semana. O movimento mostra que a queda não ficou restrita à Natura, mas os dados disponíveis não permitem atribuir uma causa única para a baixa das farmacêuticas.

Quais ações mais subiram na semana

Além do Magazine Luiza, Azzas 2154 (AZZA3) avançou 14,55%. Vamos (VAMO3) subiu 12,17%, Rumo (RAIL3) ganhou 7,48% e Localiza (RENT3) teve alta de 5,94%. Os números correspondem ao acumulado dos cinco pregões da semana.

O resultado das maiores altas destoou do índice, que perdeu 0,95%. A queda refletiu menor apetite por risco no Brasil, com investidores atentos à disputa eleitoral, e também a fatores externos, como a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.

Juros e eleições mantiveram a bolsa sob pressão

No Brasil, a ata divulgada na terça-feira (22) pelo Comitê de Política Monetária reforçou que a Selic elevada ajuda a desacelerar a economia. O documento também indicou que uma redução mais rápida dos juros é improvável, diante da inflação, das expectativas ainda desancoradas e dos riscos econômicos. Na semana anterior, o Copom havia reduzido a taxa em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano, no quinto corte consecutivo.

Juros altos tendem a aumentar o custo do crédito para famílias e empresas e tornam aplicações de renda fixa mais competitivas diante das ações. No cenário eleitoral, pesquisas apontaram empate técnico entre Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro nos dois turnos; o discurso de Lula na Assembleia Geral da ONU também esteve no radar.

O que observar depois da queda semanal

Nos Estados Unidos, o índice de atividade dos setores de serviços e indústria subiu de 56,0 em agosto para 58,4 em setembro, maior nível desde julho de 2021. Como leituras acima de 50 indicam expansão, o resultado foi interpretado como possível sinal de pressão inflacionária. O diretor do Federal Reserve Michael Barr defendeu novos aumentos de juros, e o mercado passou a atribuir cerca de 70% de chance a uma alta de 0,25 ponto percentual em outubro.

O dólar à vista terminou a semana a R$ 5,1817, alta de 0,73% no período. Para quem acompanha investimentos, o próximo passo é observar como as decisões de juros e os sinais eleitorais alteram o apetite por risco — sem perder de vista que o desempenho de uma semana não determina, por si só, o rumo futuro de uma ação ou do índice.

Impacto para a sociedade

A manutenção de juros elevados encarece empréstimos e financiamentos, embora também mantenha a renda fixa mais atrativa. Para as empresas, crédito caro pode pesar nos custos e nos planos de expansão, enquanto mudanças nos juros dos Estados Unidos e no câmbio influenciam as condições financeiras no Brasil.