O Ibovespa fechou em queda de 0,27% nesta sexta-feira (25), aos 183.476,86 pontos, e acumulou perda de 0,95% na semana. O resultado prolonga a cautela dos investidores diante da pressão sobre ações da Petrobras, da inflação acima do esperado e das incertezas eleitorais, embora a melhora no exterior tenha ajudado a reduzir as perdas durante o pregão.

Índice se recuperou das mínimas durante a sessão

O principal indicador da Bolsa brasileira chegou a cair até 182.151,01 pontos no pior momento do dia e alcançou 184.214,48 pontos na máxima. O volume financeiro negociado somou R$ 23,99 bilhões. A diferença entre as mínimas e o fechamento mostra que o índice recuperou parte do terreno perdido ao longo da sessão, mas terminou no vermelho.

O desempenho semanal, de baixa de 0,95%, resume uma sequência de pressões que incluiu fatores domésticos e externos. A queda de sexta-feira foi moderada, mas o resultado acumulado indica que o avanço dos preços em parte das ações não foi suficiente para levar o índice ao campo positivo na semana.

Petrobras pesou com recuo do petróleo

As ações da Petrobras estiveram entre as principais pressões sobre o índice. Os papéis preferenciais (PETR4) caíram 2,58%, enquanto os ordinários (PETR3) recuaram 2%. No mercado internacional, o barril do petróleo Brent terminou a US$ 104,32, com baixa de 2,1%.

Como o petróleo influencia as perspectivas de receita e os preços praticados por companhias do setor, suas oscilações costumam repercutir nas ações de empresas ligadas à commodity. A Vale, por sua vez, teve leve alta de 0,16%, em um dia de estabilidade nos contratos futuros de minério de ferro na China.

Exterior limitou a queda da Bolsa

O ambiente internacional ajudou a afastar o Ibovespa das mínimas. O rendimento do título do Tesouro dos Estados Unidos de dez anos, conhecido como Treasury, terminou em 5,1625%, abaixo da máxima de 5,2297% registrada no dia. Rendimentos menores podem reduzir a atratividade relativa dos títulos americanos e aliviar a pressão sobre ativos de maior risco, como ações.

Em Nova York, o S&P 500 subiu 0,51%. A melhora em Wall Street e a acomodação dos juros dos títulos americanos contribuíram para conter as perdas no mercado brasileiro, embora não tenham sido suficientes para virar o sinal do índice.

Inflação e eleição mantiveram investidores cautelosos

No cenário doméstico, o mercado avaliou o IPCA-15, indicador que apontou inflação acima das expectativas em setembro. Uma inflação mais persistente pode levar investidores a rever suas projeções para os juros, pois a taxa básica é uma das ferramentas usadas para conter a alta de preços. Juros esperados mais altos também podem tornar aplicações de renda fixa mais atraentes em comparação com ações.

A pesquisa Datafolha divulgada na véspera indicou 40% das intenções de voto para Luiz Inácio Lula da Silva e 36% para Flávio Bolsonaro no primeiro turno. Em uma simulação de segundo turno, os percentuais foram de 47% e 45%, respectivamente. As diferenças ficaram dentro da margem de erro, mas mudanças nas expectativas eleitorais podem provocar oscilações nos ativos, especialmente com a primeira etapa da eleição a pouco mais de uma semana.

Ações de bancos e empresas tiveram desempenhos distintos

Os grandes bancos fecharam majoritariamente em alta: Itaú subiu 0,62%, Bradesco avançou 0,56%, Santander Brasil ganhou 0,51% e Banco do Brasil teve alta de 0,23%. O BTG Pactual terminou estável. Já Ultrapar caiu 5,77% e Vibra recuou 4,96%, em novas sessões de ajuste depois das altas acumuladas pelas ações ao longo de setembro.

A Azzas 2154 avançou 12,97%, em meio a especulações sobre possíveis efeitos da reorganização societária anunciada no início do mês e uma eventual transação envolvendo a unidade Farm Rio. Para quem acompanha investimentos, o fechamento da semana reforça que fatores como inflação, eleição, juros no exterior e preços de commodities podem influenciar o mercado ao mesmo tempo. A evolução desses temas deve continuar no radar dos investidores nos próximos pregões.

Impacto para a sociedade

O recuo do Ibovespa não altera diretamente o orçamento da maioria das famílias. Já a inflação acima do esperado no IPCA-15 pode pesar no custo de vida e influenciar as expectativas sobre juros, que afetam o crédito e as aplicações financeiras.