O Tesouro Direto recebeu R$ 15 bilhões em investimentos em agosto, o maior volume mensal da série histórica. Os títulos ligados à Selic concentraram 46,9% das vendas, em um mês com 1,32 milhão de operações. O recorde em aplicações, porém, não impediu que resgates e vencimentos superassem as compras.

Títulos ligados à Selic lideraram as vendas

Os papéis atrelados à taxa básica somaram R$ 7 bilhões em vendas. O Tesouro Selic respondeu por R$ 5,37 bilhões, ou 35,8% do total, enquanto o Tesouro Reserva teve R$ 1,67 bilhão em vendas, equivalente a 11,1%. Juntos, os dois títulos representaram quase metade do valor aplicado no mês.

Os títulos ligados à inflação — Tesouro IPCA+, IPCA+ com Juros Semestrais, RendA+ e Educa+ — movimentaram R$ 5,5 bilhões, ou 36,3% das vendas. Já os prefixados, cuja remuneração é definida no momento da compra, somaram R$ 2,5 bilhões, correspondentes a 16,7%.

Juros elevados ajudam a explicar a procura

A Selic estava em 13,75% ao ano em agosto, após o Banco Central realizar o quinto corte consecutivo em 16 de setembro. Como o Tesouro Selic acompanha a taxa básica, juros elevados tendem a favorecer a remuneração desses títulos. Quando a Selic cai, o retorno acompanha o movimento ao longo do tempo, embora não necessariamente de forma imediata para todo o período do investimento.

A taxa básica também influencia o custo do crédito e as condições para empresas e consumidores. Cortes podem reduzir gradualmente o custo de empréstimos e financiamentos, enquanto tornam menos atrativos os rendimentos futuros de aplicações ligadas à Selic. Na bolsa, juros menores podem favorecer ações ao reduzir o custo de financiamento e tornar outros investimentos relativamente mais atraentes, mas isso não determina sozinho o desempenho dos papéis.

Mais da metade das operações foi de até R$ 1.000

O valor médio por operação foi de R$ 11.366,43. Ainda assim, aplicações de até R$ 1.000 corresponderam a 55,7% das transações. Esse percentual se refere à quantidade de operações, não à parcela do dinheiro total investido: compras menores foram maioria em número, embora o volume financeiro tenha alcançado recorde.

Por prazo de vencimento, 45,2% das aplicações foram destinadas a títulos com vencimento entre um e cinco anos. Papéis com prazo de cinco a dez anos representaram 43,2%, enquanto os vencimentos acima de dez anos concentraram 11,7% das vendas.

Resgates e vencimentos superaram as aplicações

Apesar das compras recordes, os resgates e vencimentos totalizaram R$ 17,22 bilhões em agosto. O resultado foi uma emissão líquida negativa de R$ 2,21 bilhões — isto é, saiu mais dinheiro do programa do que entrou com novas aplicações. A diferença foi influenciada principalmente pelo vencimento de títulos Tesouro IPCA+ 2026: R$ 11,3 bilhões na modalidade sem juros semestrais e R$ 1,5 bilhão na versão com pagamentos semestrais.

Nas recompras antecipadas, títulos ligados à Selic somaram R$ 3 bilhões, ou 67,4% dos resgates. Papéis atrelados a índices de preços totalizaram R$ 1,01 bilhão, e os prefixados, R$ 423,6 milhões.

Estoque ficou estável no mês e cresceu em um ano

O estoque do Tesouro Direto terminou agosto em R$ 272 bilhões, praticamente estável ante os R$ 272,3 bilhões de julho. Na comparação com agosto de 2025, houve alta de 43%. Os títulos ligados à inflação correspondiam a R$ 128 bilhões, ou 47,1% do estoque; os atrelados à Selic, a R$ 106,9 bilhões, ou 39,3%; e os prefixados, a R$ 37,1 bilhões, ou 13,6%.

O programa tinha 3,83 milhões de investidores ativos, 23.962 a mais que em julho e crescimento de 21,7% em 12 meses. O número de cadastrados chegou a 36,44 milhões, alta anual de 9,6%. Para os próximos dados, a comparação entre aplicações, resgates e vencimentos ajudará a mostrar se o recorde de compras se traduz em aumento do estoque ou se novas saídas continuam compensando as entradas.