O Banco Central do Brasil e o Banco Central Europeu deram o primeiro passo para uma possível conexão entre o Pix e o TIPS, sistema europeu de pagamentos instantâneos. As autoridades iniciaram um estudo de viabilidade; por enquanto, não há um serviço para enviar Pix diretamente a uma conta na Europa, nem prazo para que isso aconteça.
Estudo vai avaliar se a conexão é possível
A análise deverá considerar aspectos técnicos, operacionais, jurídicos e comerciais. Entre as questões a resolver estão a conversão entre real e euro, as regras para participação de bancos e outras instituições e os procedimentos para identificação de usuários, proteção de dados e prevenção a fraudes e lavagem de dinheiro.
O Conselho do BCE aprovou a avaliação e informou que trabalhará com o Banco Central brasileiro. O anúncio formaliza o início das discussões, mas não representa uma decisão de implantar a conexão. As autoridades ainda não divulgaram tarifas, modelo de câmbio, instituições participantes ou países que poderiam oferecer o serviço.
Como funciona o TIPS europeu
TIPS é a sigla para Serviço TARGET de Liquidação de Pagamentos Instantâneos. Desenvolvida pelo Eurosistema — formado pelo BCE e pelos bancos centrais nacionais dos países que adotam o euro —, a infraestrutura permite que bancos e outros prestadores de serviços financeiros transfiram recursos em poucos segundos, 24 horas por dia e todos os dias do ano.
O sistema opera atualmente com euro, coroa sueca e coroa dinamarquesa. Os pagamentos são liquidados em moeda de banco central: o acerto final entre instituições ocorre em contas mantidas nos bancos centrais. Esse mecanismo reduz o risco de uma das partes não entregar os recursos depois da operação.
O que uma eventual ligação poderia permitir
Se o projeto avançar, uma pessoa no Brasil poderia iniciar uma transferência ou pagamento em reais e, em tese, o destinatário na Europa receberia o valor na moeda local. O caminho inverso também poderia ser possível, com o beneficiário brasileiro recebendo em reais recursos enviados por alguém na Europa.
A conexão funcionaria como uma ponte entre infraestruturas, não como uma fusão dos sistemas. O Pix continuaria operando com suas regras e moedas, e o TIPS com as dele. Real não passaria a circular diretamente na Europa, nem o euro seria incorporado ao Pix; seria necessário definir como as informações e os valores seriam encaminhados e convertidos.
Pagamentos podem ficar mais rápidos, mas custos dependem do modelo
Hoje, uma remessa internacional pode passar por vários bancos, correspondentes e sistemas até chegar ao destino. Uma ligação entre redes instantâneas poderia reduzir etapas e permitir que pagamentos ou transferências fossem concluídos em poucos segundos, inclusive fora do horário bancário tradicional.
Isso não garante, por si só, tarifas menores para o consumidor. O custo final também dependeria das instituições participantes, das taxas cobradas e da forma de conversão cambial. Como esses pontos ainda serão estudados, não é possível afirmar quanto uma operação custaria ou se seria mais barata que as opções atuais.
O que muda agora para usuários e investidores
Por enquanto, nada muda na maneira de fazer pagamentos ou transferências entre Brasil e Europa. O anúncio abre uma etapa de avaliação, sem garantia de que a conexão será implantada. Para quem envia ou recebe dinheiro entre os dois lados, a possibilidade de pagamentos mais rápidos é uma perspectiva, não uma funcionalidade disponível.
O próximo passo é o trabalho conjunto dos bancos centrais para avaliar a viabilidade e definir, se houver avanço, o desenho da ligação e suas regras. Só depois dessas decisões será possível saber quem poderá usar o serviço, em quais países, com quais moedas e a que custo.
