As ações do Magazine Luiza (MGLU3) chegaram a subir mais de 6% nesta quarta-feira (23), após a Anvisa revogar a restrição que impedia a varejista de comercializar medicamentos em sua plataforma. A decisão abre espaço para a empresa atuar nesse mercado por meio de farmácias parceiras, mas não autoriza a venda direta de remédios pelo Magalu.

O que a decisão da Anvisa permite

A agência suspendeu a proibição na terça-feira (22), e a resolução foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta. A medida revogou uma restrição preventiva em vigor desde dezembro de 2021, que impedia a empresa de comercializar, distribuir e fazer propaganda de medicamentos.

Com a mudança, farmácias e drogarias regularmente licenciadas podem usar a plataforma do Magazine Luiza para vender remédios. A varejista pode oferecer estrutura de vendas, logística e entrega ao consumidor; a comercialização, porém, deve ser feita pelas farmácias parceiras, que precisam cumprir as regras do setor.

Como o Magalu pode ganhar com o novo canal

O modelo pode gerar receita para o Magalu por meio de comissões sobre as vendas realizadas pelas farmácias na plataforma. Também pode ajudar a atrair consumidores e aumentar o uso recorrente do aplicativo, já que medicamentos podem ser comprados mais de uma vez ao longo do tempo.

A velocidade de entrega é um elemento importante nesse mercado. Farmácias com presença física buscam estar próximas dos clientes; no comércio eletrônico, a capacidade de levar o produto até o consumidor com rapidez pode influenciar a escolha da plataforma. A decisão da Anvisa permite ao Magalu disputar esse espaço, mas não informa quanto a nova atividade poderá acrescentar às receitas da empresa.

A reação das ações na sessão

Os papéis chegaram a avançar mais de 6% durante o pregão e, por volta das 13h30, subiam 4,41%. A ação figurava entre as maiores altas do Ibovespa. Os números descrevem momentos diferentes da sessão e não representam, necessariamente, o desempenho no fechamento.

A reação indica que investidores viram a autorização como uma possibilidade de expansão para a varejista. Ainda assim, a alta da ação não confirma que a operação já começou nem permite concluir qual será seu resultado financeiro. O efeito dependerá da adesão de farmácias e consumidores e da capacidade de competir em preço e entrega.

Concorrentes já disputam vendas de medicamentos

O Magalu não é a primeira plataforma autorizada a intermediar esse tipo de venda. Aplicativos como iFood e Rappi já atuam no segmento, e a Shopee também recebeu autorização da Anvisa. O Mercado Livre tem um projeto-piloto no Brasil com uma farmácia cadastrada; no México, já opera no setor.

Fora dos marketplaces, o Assaí abriu em julho sua primeira farmácia dentro de um supermercado. Uma lei sancionada em março permitiu a varejistas e supermercados ampliar a atuação no segmento, mas estabeleceu condições para as lojas físicas: medicamentos devem ficar em espaço separado, com caixa próprio e presença de farmacêutico. No comércio eletrônico, a operação do Magalu depende de farmácias parceiras.

O que observar a partir de agora

Para quem investe, a decisão representa uma oportunidade de negócio em potencial, não uma garantia de aumento de vendas ou lucro. A autorização, por si só, não permite estimar o tamanho da receita que poderá vir das comissões nem o prazo para que a operação tenha relevância nos resultados.

Para o consumidor, a mudança abre a possibilidade de encontrar mais farmácias na plataforma, mas não significa, automaticamente, preços menores ou entrega mais rápida. Os próximos pontos a acompanhar são a entrada de parceiros, a oferta de produtos e a execução da logística. Até que esses elementos se concretizem, o impacto financeiro da novidade para o Magalu permanece incerto.