O UBS BB elevou de R$ 60 para R$ 62 o preço-alvo das ações ordinárias e preferenciais da Petrobras (PETR3 e PETR4) e manteve recomendação de compra. O banco também projeta dividend yield líquido de 10,5% em 2026 e 13,7% em 2027. A estimativa chama atenção pelo potencial de renda, mas convive com um ponto de risco: a diferença entre os preços dos combustíveis no Brasil e as cotações internacionais.
O que representam o preço-alvo e o retorno em dividendos
O novo preço-alvo de R$ 62 implica potencial de valorização de 28,3% para as ações negociadas na B3, tomando como base o fechamento do pregão anterior ao relatório. Para os recibos de ações da Petrobras negociados em Nova York, o alvo subiu de US$ 22 para US$ 23, o que representa potencial de alta de 21,5% sobre o fechamento usado pelo banco. Esses cálculos não incluem dividendos.
O dividend yield relaciona os dividendos projetados ao preço da ação: indica, em termos percentuais, quanto a empresa pode distribuir em relação ao valor investido. O UBS BB estima pagamentos de R$ 5,07 por ação em 2026 e R$ 6,60 em 2027. São projeções, não valores garantidos, e o retorno efetivo depende das distribuições aprovadas e do preço pelo qual cada investidor comprou o papel.
Projeções apontam dividendos elevados até 2030
Na tabela do banco, o retorno líquido estimado é de 10,5% em 2026, 13,7% em 2027, 13% em 2028, 14,5% em 2029 e 15,3% em 2030. A projeção para 2027 fica na faixa de 13% a 14% destacada pelo UBS BB e, segundo a instituição, está entre as mais altas do setor global de petróleo e gás.
As estimativas surgem após as ações subirem cerca de 70% neste ano. Essa alta importa porque o dividend yield é calculado em relação ao preço do papel: mantido o valor distribuído, uma ação mais cara tende a oferecer um retorno percentual menor para quem compra naquele momento. Por isso, a projeção de dividendos precisa ser considerada junto com o preço pago e os riscos para a geração de caixa.
Petróleo caro e produção maior sustentam a tese
O UBS BB vê dois fatores favoráveis. No cenário internacional, o banco projeta o petróleo Brent a US$ 85 por barril no terceiro trimestre de 2026 e US$ 80 no quarto, recuando para US$ 75 a partir de 2027. Na quarta-feira, porém, a cotação voltou a superar US$ 100, em meio às tensões envolvendo o Irã. Cerca de 40% da produção da Petrobras é exportada, o que permite à companhia se beneficiar de preços internacionais mais altos.
Na operação, a produção também surpreendeu. A estatal registrou recorde em agosto, com 2,89 milhões de barris por dia. O UBS BB elevou sua estimativa para a média de produção de 2026 a 2,73 milhões de barris diários, acima da meta da própria companhia, de 2,50 milhões. Uma produção maior pode reforçar o volume disponível para venda, embora não elimine os efeitos de custos e preços domésticos.
Combustíveis represados reduzem a geração de caixa
O principal contraponto é a política de preços no Brasil. Desde o início do conflito no Oriente Médio, o petróleo subiu e se aproximou de US$ 120 por barril, mas subsídios e cortes de impostos ajudaram a limitar o repasse nas bombas. Essa contenção pode aliviar o impacto imediato para consumidores, mas também reduz o quanto a Petrobras recebe em determinadas atividades quando os preços internos ficam abaixo das referências internacionais.
No segundo trimestre de 2026, a companhia foi a única entre as empresas comparadas pelo UBS BB a registrar queda trimestral de 14% na geração de caixa por barril refinado. Shell, BP e Repsol tiveram altas de 25% a 150% nessa métrica. O banco calcula que, se a Petrobras tivesse capturado integralmente os preços internacionais no período, o Ebitda do refino e da distribuição teria ficado entre US$ 5,5 bilhões e US$ 6,5 bilhões, ante US$ 3,5 bilhões registrados.
O que acompanhar antes de avaliar as projeções
Para quem investe, a perspectiva combina pagamentos elevados com incertezas sobre petróleo, produção e política de preços. O Brent acima das projeções de longo prazo pode favorecer receitas, mas a cotação pode oscilar; já a manutenção de combustíveis domésticos abaixo dos preços internacionais pode limitar a rentabilidade do refino. O preço-alvo e os dividendos estimados pelo banco são cenários, não promessa de retorno.
Os próximos dados de produção e geração de caixa ajudam a mostrar se a melhora operacional prevista se confirma. Também será importante observar como a política de preços reage às cotações externas: ela afeta tanto o caixa da estatal quanto o custo dos combustíveis para consumidores. A decisão de investimento depende, portanto, de como cada pessoa avalia esses fatores e o risco de mudanças nas projeções.
Impacto para a sociedade
O petróleo mais caro pode pressionar os preços dos combustíveis, mas a política de subsídios e redução de impostos tem limitado o repasse no Brasil. O relatório não anuncia mudança nos preços ou nos tributos; aponta, porém, que manter os valores domésticos abaixo das referências internacionais afeta a geração de caixa da Petrobras.
