O Santander avançou nos preparativos para oferecer aos acionistas do banco brasileiro a troca voluntária de ações por BDRs ligados à matriz espanhola. Para cada unit SANB11 entregue, a proporção prevista é de 0,4056 BDR. A operação ainda depende de registros e aprovações e, conforme a expectativa indicada nos documentos, deve ser concluída no primeiro semestre de 2027.

Quais registros foram solicitados para viabilizar a oferta

O grupo pediu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) o registro do Banco Santander espanhol como emissor estrangeiro na categoria A e a criação de um programa de BDRs. Também solicitou a admissão dos recibos para negociação na B3 e o registro da oferta de permuta. Nos Estados Unidos, apresentou à SEC o formulário relativo à operação naquele mercado.

Esses pedidos são etapas preparatórias, não significam que a troca já esteja aberta. Os documentos definitivos ainda deverão trazer o cronograma, o código de negociação dos novos recibos e as regras para o tratamento de eventuais frações. Também serão necessários os procedimentos e as aprovações regulatórias aplicáveis.

Quanto cada tipo de ação pode render em BDRs

A proporção anunciada é de 0,2028 BDR para cada ação ordinária SANB3 ou preferencial SANB4 entregue. Para cada unit SANB11, o investidor receberá 0,4056 BDR. A diferença ocorre porque cada unit reúne uma ação ordinária e uma preferencial do Santander Brasil. Para os ADSs do banco brasileiro negociados nos Estados Unidos, a contrapartida prevista é de 0,4056 ADS da matriz.

Cada novo BDR ou ADS deverá representar uma ação ordinária recém-emitida do Santander espanhol. BDRs são recibos negociados no Brasil que representam ativos emitidos no exterior. Embora a negociação local seja feita em reais, o valor também pode variar conforme o desempenho da ação estrangeira e a taxa de câmbio.

Oferta busca participação ainda fora do controle da matriz

A troca faz parte de uma oferta anunciada em julho de 2026, quando a matriz informou a intenção de adquirir todas as ações do Santander Brasil que ainda não controla. Essa parcela equivale a aproximadamente 10% do capital da subsidiária. A operação será feita por ofertas simultâneas no Brasil e nos Estados Unidos.

A adesão será voluntária e não haverá uma quantidade mínima de ações para que a oferta seja concluída. O Santander afirmou que a operação não tem como objetivo retirar o banco brasileiro da B3. Já os ADSs do Santander Brasil podem deixar de ser negociados na Bolsa de Nova York, dependendo do nível de adesão.

O que a mudança representa para quem tem SANB11

Por enquanto, a carteira do acionista não muda: ele continua com os papéis que já possui até que a oferta seja aberta e decida se participa. Quem não aderir manterá ações do Santander Brasil; quem aceitar trocará sua exposição à subsidiária brasileira por recibos ligados à matriz espanhola. Isso não significa apenas substituir um código de negociação: muda a empresa cujos resultados e ações influenciam diretamente o investimento.

O Santander espanhol já tem um BDR negociado na B3, o BCSA34, de nível I e não patrocinado, mantido pelo Citibank. O novo programa foi solicitado pelo próprio grupo para viabilizar a oferta, mas ainda não há informação sobre como os dois programas poderão coexistir. Antes de decidir, o investidor poderá avaliar o edital definitivo, que deverá esclarecer tributação, custos, prazos, liquidez e frações, além das condições para negociar os novos recibos.