O JP Morgan identifica o Brasil como o mercado emergente de melhor desempenho no último mês e vê espaço para uma valorização adicional à medida que a disputa eleitoral se estreita. Para o banco, a possibilidade de vitória da oposição em outubro passou a influenciar os preços dos ativos com intensidade incomum para um período eleitoral.

Disputa eleitoral passou a comandar os ativos brasileiros

Em condições normais, os movimentos das bolsas latino-americanas são explicados principalmente por fatores globais, como juros nos Estados Unidos, apetite por risco e desempenho das commodities. O banco chama esse conjunto de influências de fatores externos e afirma que, no segundo semestre, eles costumam ter papel predominante.

Durante eleições, porém, os fatores domésticos podem assumir o controle. Nesse caso, a reação tende a ser maior do que a explicada pelo chamado beta global, uma medida usada para comparar quanto um mercado acompanha as oscilações internacionais. A leitura é que investidores passaram a ajustar posições diante da mudança nas pesquisas e da possibilidade de alternância no poder.

Alta ganhou força conforme Flávio avançou nas pesquisas

O JP Morgan comparou o desempenho do MSCI Brasil, índice que reúne ações brasileiras, com os números do Polymarket, plataforma que acompanha probabilidades atribuídas pelos participantes a eventos políticos. A análise considera o período desde 1º de julho, quando o senador Flávio Bolsonaro atingiu seu ponto mais baixo nas pesquisas.

Desde então, o mercado subiu, em média, 0,25% em cada dia no qual o candidato ganhou pontos nas pesquisas. O banco ressalta que essa reação vem se tornando maior, sinal de que a disputa eleitoral passou a ser incorporada de forma mais rápida e intensa às cotações.

Por que o cenário pode ser diferente do de 2014

Na avaliação do banco, a configuração atual se aproxima da eleição de 2014, quando Dilma Rousseff e Aécio Neves disputaram a Presidência. Naquele ano, as ações recuaram levemente e depois tiveram uma recuperação moderada após o primeiro turno.

A diferença considerada decisiva é que, no cenário atual, uma eventual vitória seria da oposição, representada por Flávio Bolsonaro, e não do grupo que está no governo. O JP Morgan também cita a possibilidade de um Senado mais conservador e de uma vantagem oposicionista no primeiro turno maior do que a esperada no começo da disputa. Esses fatores poderiam antecipar e ampliar a reação positiva dos ativos.

Política fiscal será determinante para sustentar a alta

O banco afirma que o comportamento do mercado após a eleição dependerá da direção da política econômica. Se houver continuidade das medidas atuais, o resultado poderia se aproximar da estabilidade observada depois de 2014.

Por outro lado, uma mudança em direção a maior disciplina fiscal — com mais controle das despesas públicas e das contas do governo — poderia estimular uma alta mais forte. A razão é que contas públicas mais previsíveis tendem a reduzir o risco percebido pelos investidores, favorecendo ações e outros ativos brasileiros.

O que observar até a eleição de outubro

O movimento recente não representa uma garantia de alta. Ele mostra que o mercado está reagindo às pesquisas e às probabilidades eleitorais, que podem mudar até o primeiro turno. Por isso, novas informações sobre a disputa podem aumentar a volatilidade, isto é, provocar oscilações mais intensas nos preços.

Para quem investe, os próximos pontos de atenção são a evolução das pesquisas, a composição do Congresso e as propostas econômicas dos candidatos, especialmente para as contas públicas. Para a economia real, uma eventual mudança na percepção sobre o risco fiscal pode influenciar o câmbio, os juros de mercado e o custo de crédito, mas esses efeitos dependerão das medidas efetivamente anunciadas e implementadas após a eleição.