Uma análise do Itaú BBA mapeou as principais frentes que podem disputar os investimentos da Petrobras nos próximos anos e concluiu que, apesar da expansão para áreas como refino, etanol, fertilizantes e petroquímica, a exploração e produção de petróleo continuará no centro da estratégia. O diagnóstico importa porque ajuda a dimensionar como a estatal pode distribuir seu capex, ou seja, os recursos destinados a projetos e ativos, em um momento de aceleração das entregas.
Petróleo ainda concentra os maiores projetos
A Petrobras saiu de um período em que executava investimentos abaixo do previsto e passou a entregar projetos em ritmo mais acelerado, especialmente no campo de Búzios. O capex ficou acima das projeções em 2024 e 2025, e o Itaú BBA avalia que esse comportamento pode se repetir em 2026.
Na frente de exploração e produção, Búzios 12 e a revitalização de Albacora aparecem como os próximos projetos relevantes com potencial para receber decisão final de investimento. Juntos, eles representam US$ 11,5 bilhões em recursos considerando a participação da Petrobras.
A Margem Equatorial permanece como a principal fronteira exploratória no Brasil, enquanto projetos internacionais, principalmente na África, também ganham espaço. Assim, mesmo com a avaliação de novas áreas de negócios, a geração de caixa ligada ao petróleo continua sendo a principal referência para a alocação de capital.
Refino pode crescer com menos dinheiro que uma nova refinaria
No refino, a Petrobras reiterou a meta de atender 100% da demanda brasileira por diesel até 2030. Para o Itaú BBA, isso exigiria cerca de 175 mil barris por dia adicionais em relação ao Plano de Negócios 2026-2030.
A expansão poderia ocorrer por modernizações e eliminação de gargalos, com investimentos incrementais estimados em aproximadamente US$ 2 bilhões. O valor é inferior aos US$ 10 bilhões a US$ 12 bilhões projetados para construir uma nova refinaria, o que torna a ampliação da capacidade existente uma alternativa menos intensiva em capital.
A refinaria de Mataripe também está no radar. O banco estima um valor entre US$ 1,5 bilhão e US$ 3 bilhões para o ativo, dependendo principalmente das premissas de utilização e das margens de refino. A Petrobras havia vendido a unidade em 2021 por US$ 1,65 bilhão.
Distribuição e GLP dependem de reentrada no mercado
A Petrobras confirmou que avalia retornar à distribuição de combustíveis. Uma eventual operação, porém, dependeria do fim do acordo de não concorrência com a Vibra, previsto para meados de 2029.
O Itaú BBA considera mais provável uma aquisição de distribuidora já existente do que a construção de uma operação do zero. No GLP, segmento do gás de cozinha, a estatal também analisa oportunidades de reentrada após vender o negócio de distribuição em 2020 por R$ 4 bilhões. A Ultragaz é estimada em aproximadamente R$ 7 bilhões como referência para uma eventual operação.
Braskem, etanol e fertilizantes ampliam o mapa
Na petroquímica, a Petrobras detém 47% do capital votante e 36,2% do capital total da Braskem. Em um cenário de aumento de capital no qual mantivesse sua participação atual, poderia precisar aportar cerca de US$ 2 bilhões.
No etanol, a companhia anunciou em 2024 sua reentrada por meio de parcerias estratégicas. As alternativas avaliadas incluem comprar uma participação minoritária em uma empresa estabelecida, com valor de firma estimado em cerca de R$ 20 bilhões, ou participar do desenvolvimento de novos projetos, com valor patrimonial estimado em R$ 18 bilhões.
Fertilizantes e minerais críticos também aparecem entre as frentes em discussão. No primeiro caso, a Petrobras estuda ampliar a capacidade de suas plantas, enquanto a lista de oportunidades mostra que a estatal voltou a considerar um portfólio mais amplo do que o tradicional foco em petróleo e gás.
O que o investidor deve acompanhar daqui para frente
O ponto central da análise é que a diversificação não significa, por enquanto, uma mudança do eixo financeiro da Petrobras. Os projetos de exploração e produção seguem maiores e mais diretamente ligados à tese da companhia, enquanto as demais áreas podem disputar recursos conforme houver decisões formais de investimento.
Para quem acompanha a empresa, os próximos marcos são as decisões sobre Búzios 12 e Albacora, o avanço da Margem Equatorial, os investimentos para ampliar a oferta de diesel e eventuais movimentos em distribuição, GLP, Braskem, etanol e fertilizantes. A combinação entre velocidade de execução, tamanho dos desembolsos e retorno esperado será determinante para medir o efeito dessas frentes sobre a Petrobras.
