O Ibovespa à vista recua nesta terça-feira (22) e tenta sustentar os 185 mil pontos, pressionado principalmente por ações de Petrobras e dos grandes bancos, enquanto o petróleo opera abaixo de US$ 100 por barril. O mercado também digere a ata do Copom, acompanha a alta do dólar para R$ 5,123 e aguarda o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Assembleia Geral da ONU.

Petrobras e bancos puxam a bolsa para baixo

Por volta das 10h19, o principal índice da B3 estava aos 185,2 mil pontos, em baixa nos primeiros negócios. Também recuavam papéis de varejistas e da Vale, ampliando a pressão sobre o índice. Apenas seis ações operavam em alta às 10h33, com TOTS3 subindo 0,69% e SUZB3 avançando 0,68% entre os maiores ganhos.

Petrobras é afetada pela nova queda do petróleo, que reduz a referência internacional para suas receitas e pode influenciar a percepção sobre preços de combustíveis. No mercado acionário, a baixa das ações de bancos também pesa de forma relevante porque essas empresas têm grande participação no Ibovespa e são sensíveis às perspectivas para crédito, atividade econômica e juros.

O que a ata do Copom sinaliza sobre a Selic

A ata da reunião de setembro reforçou que o Banco Central pretende manter uma política monetária restritiva, isto é, juros suficientemente altos para conter a demanda e ajudar a desacelerar a inflação. O Copom reconheceu sinais de perda de força da atividade econômica e melhora da inflação corrente, mas avaliou que ainda é necessário agir com cautela.

O documento trouxe ainda uma atenção inédita ao mercado de crédito, especialmente ao comportamento expansivo dos recursos direcionados. Esses recursos são financiamentos concedidos por instituições financeiras para finalidades específicas, como habitação e agricultura. Se o crédito continuar crescendo com força, a demanda pode permanecer aquecida e dificultar a convergência da inflação.

Juros futuros sobem mesmo com sinais de desaceleração

A última reunião do Copom terminou com um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica, levando a Selic para 13,75% ao ano. Na véspera, o relatório Focus mostrou que os economistas passaram a projetar a taxa em 13,50% ao fim de 2026, mas a ata manteve dúvidas sobre a velocidade de novos cortes.

Após uma sequência de quedas, as taxas dos contratos futuros de juros subiam na manhã desta terça-feira, na contramão do movimento externo. Quando essas taxas avançam, o mercado passa a exigir retorno maior para financiar o governo e empresas no futuro, o que tende a pressionar ações mais dependentes de crédito e reduzir o valor presente de lucros esperados.

Petróleo cai com possibilidade de reabertura de Ormuz

O petróleo renovou a trajetória de baixa depois de notícias indicarem que o Irã poderia reabrir o estreito de Ormuz, uma rota estratégica para o transporte internacional da commodity. Rússia e Arábia Saudita defenderam a navegação segura por Ormuz e Bab el-Mandeb, além de esforços diplomáticos para reduzir as tensões no Oriente Médio.

A queda do petróleo ajuda a diminuir custos de energia e pode aliviar pressões inflacionárias em diversos países. Para empresas produtoras, porém, preços menores reduzem a receita potencial. O movimento também ocorre enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos recuam e as bolsas americanas operam próximas da estabilidade: Dow Jones subia 0,36%, S&P 500 avançava 0,09% e Nasdaq caía 0,20%.

Discurso de Lula e próximos sinais para o mercado

Investidores aguardavam a fala de Lula na ONU, prevista para ocorrer após o discurso do secretário-geral António Guterres. Na sequência, também havia expectativa pelo pronunciamento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em meio às dúvidas sobre a guerra no Irã, as relações com a China e o futuro da inteligência artificial.

Para quem investe, os próximos movimentos dependerão da combinação entre inflação, atividade, crédito e comunicação do Banco Central, além do comportamento do petróleo e do cenário internacional. Para consumidores e empresas, uma Selic ainda elevada encarece empréstimos e posterga decisões de compra, enquanto uma eventual queda do petróleo pode reduzir custos, mas não determina sozinha os preços dos combustíveis no Brasil.

Impacto para a sociedade

A decisão do Copom influencia o custo do crédito, o rendimento de investimentos de renda fixa e as condições para consumo e investimento das empresas. A queda do petróleo pode aliviar pressões sobre combustíveis e inflação, embora os preços no Brasil também dependam da política da Petrobras, do câmbio e dos impostos.