O ouro fechou em baixa de 0,93% nesta segunda-feira (21), a US$ 4.383,90 por onça-troy, diante da perspectiva de que os juros permaneçam elevados por mais tempo nos Estados Unidos. O movimento mostra que a política monetária do Federal Reserve continua se sobrepondo à procura pelo metal como proteção em momentos de incerteza.

Juros altos reduzem a atratividade do ouro

O contrato mais líquido, com vencimento em dezembro, foi negociado na Comex, divisão de metais da Bolsa de Mercadorias de Nova York. A onça-troy é a unidade de peso tradicionalmente usada no mercado internacional de metais preciosos.

O ouro não paga juros nem distribui rendimentos periódicos. Por isso, quando as taxas dos títulos públicos americanos sobem ou permanecem altas, o investidor passa a ter maior incentivo para manter recursos em ativos que oferecem remuneração. Esse custo de oportunidade tende a pressionar a cotação do metal.

Declarações do Fed reforçam cautela com a inflação

A pressão sobre o ouro aumentou depois de declarações de Austan Goolsbee, presidente do Federal Reserve de Chicago. O dirigente afirmou que o banco central precisa ter coragem para enfrentar a inflação e que só se sentiria confortável com uma redução dos juros diante de evidências convincentes de que os preços estão retornando à meta de 2%.

Goolsbee disse ainda que, neste momento, o Fed não enfrenta um problema de emprego, mas de inflação. A avaliação reforça a leitura de que a autoridade monetária pode manter uma postura restritiva por mais tempo, em vez de acelerar eventuais cortes nas taxas.

Ouro fica dividido entre inflação e tensões geopolíticas

O metal continua recebendo algum suporte de sua função de ativo de refúgio. Em períodos de tensão geopolítica, investidores costumam buscar ativos percebidos como reserva de valor, o que pode limitar a intensidade das quedas.

Esse fator, porém, não foi suficiente para compensar o efeito dos juros americanos nesta sessão. Para Soojin Kim, do MUFG, o ouro permanece entre o apoio gerado pelas tensões geopolíticas e a pressão da política monetária restritiva dos Estados Unidos. As perspectivas para a inflação e o ritmo de novos aumentos de juros devem continuar entre os principais direcionadores do mercado.

Petróleo também recua, mas tem influência menor no dia

A queda do ouro ocorreu mesmo com o recuo dos preços do petróleo, movimento associado à diminuição das preocupações com interrupções no fluxo de oleodutos sauditas após ataques de rebeldes houthis do Iêmen.

Embora o petróleo possa afetar as expectativas de inflação e, indiretamente, as decisões dos bancos centrais, o mercado deu mais peso nesta segunda-feira à perspectiva para os juros americanos. A redução da tensão sobre o fornecimento de energia, portanto, não foi o principal fator para a direção do ouro.

Próximos sinais devem vir da inflação americana

Para quem acompanha o mercado de metais, o foco passa a estar nas próximas evidências sobre a trajetória dos preços nos Estados Unidos e nas declarações de dirigentes do Fed. Uma inflação persistente pode sustentar juros altos e manter o ouro sob pressão; sinais claros de desaceleração podem mudar essa relação.

A prata também terminou o dia em baixa: o contrato para dezembro recuou 1,09%, para US$ 66,41 por onça-troy. A sessão reforça que, no curto prazo, a remuneração oferecida pelos ativos de renda fixa americanos continua sendo um elemento central para a formação dos preços dos metais preciosos.