O Bank of America (BofA) apontou o Itaú Unibanco (ITUB4) como sua ação bancária favorita na B3 e projetou crescimento dos lucros dos bancos brasileiros próximo de 10%. O Bradesco (BBDC4) também aparece entre as preferências, enquanto o Banco do Brasil (BBAS3) ficou sob ressalvas devido às dúvidas sobre a qualidade dos ativos e a recuperação da carteira agrícola.

Por que o Itaú lidera a seleção do BofA

Na avaliação dos analistas, o Itaú combina rentabilidade elevada, balanço sólido e execução consistente. Esses fatores são considerados importantes para atravessar um período de crescimento econômico mais moderado, sem depender exclusivamente de uma recuperação rápida da atividade.

Em outras palavras, o banco entende que a operação do Itaú tem maior capacidade de absorver uma economia menos dinâmica e eventuais pressões sobre o crédito. A preferência, portanto, está ligada à resiliência do negócio, e não apenas à possibilidade de valorização das ações no curto prazo.

Bradesco tem potencial de recuperação, mas BB exige cautela

O Bradesco também foi incluído entre os papéis preferidos por apresentar, na visão do BofA, uma relação atraente entre risco e retorno. A tese se apoia principalmente no potencial de recuperação da operação, que ainda precisa ser acompanhado à medida que os resultados evoluem.

Para o Banco do Brasil, o tom é mais cuidadoso. Os analistas citam as pressões contínuas sobre a qualidade dos ativos, que representa o risco de perdas ou de deterioração dos empréstimos concedidos. Também há incerteza sobre a recuperação da carteira agrícola e visibilidade limitada sobre os efeitos das medidas recentes do governo para reestruturar dívidas.

Lucros e dividendos sustentam a tese para os bancos

O BofA estima que o crescimento dos lucros no Brasil fique na faixa de um dígito alto, próxima de 10%. A projeção ocorre em um ambiente de economia mais fraca, mas é apoiada por avaliações consideradas atrativas e pela capacidade de distribuição de recursos aos acionistas.

Na comparação com outros mercados da América Latina, os bancos brasileiros e mexicanos estão entre os que apresentam maior desconto pelo múltiplo preço/lucro (P/L). Esse indicador relaciona o preço da ação ao lucro gerado pela empresa e ajuda a avaliar quanto o investidor paga por cada unidade de resultado.

Os bancos brasileiros também oferecem uma das melhores perspectivas de dividendos da região, com dividend yield, ou retorno estimado em proventos sobre o preço da ação, em torno de 7%. No México, a estimativa mencionada pelo banco é próxima de 6%.

Juros, eleições e cenário macroeconômico pesam na análise

O BofA espera uma desaceleração mais moderada da economia brasileira antes das eleições presidenciais. Esse ambiente pode afetar a demanda por crédito, a capacidade de pagamento de empresas e famílias e, consequentemente, as despesas dos bancos com provisões para calotes.

Uma eventual queda dos juros pode ajudar a reverter parte desse quadro. Com o custo do dinheiro menor, o crédito tende a ficar mais acessível, o que pode estimular a atividade e melhorar os resultados das instituições. Ao mesmo tempo, a redução da remuneração da renda fixa pode alterar a atratividade relativa de outros investimentos, influenciando o fluxo para a bolsa.

O que acompanhar nas ações bancárias

O cenário descrito combina potencial de crescimento dos lucros e dividendos com riscos ligados à inadimplência, à atividade econômica e às eleições. A avaliação também depende do desempenho de cada banco, já que os analistas não tratam o setor como um bloco uniforme.

Para quem acompanha os papéis, os próximos resultados devem ajudar a medir a qualidade das carteiras de crédito, a evolução das provisões e a rentabilidade. No caso do Banco do Brasil, também será importante observar os efeitos concretos das medidas de renegociação de dívidas e a recuperação dos empréstimos agrícolas.