Uma nova onda de automação começa a transformar o mercado de swaps cambiais, que movimenta US$ 4 trilhões por dia e ainda depende fortemente de operadores ao telefone. Plataformas eletrônicas, sistemas de compensação e ferramentas quantitativas tentam reduzir o trabalho manual em uma área considerada estratégica, mas mais complexa do que o mercado à vista de moedas.

Por que os swaps cambiais ainda dependem de telefone

Um swap cambial combina duas operações de moedas com liquidação em datas diferentes. Na prática, os participantes trocam moedas em uma data e fazem a operação inversa posteriormente, usando o contrato para administrar necessidades de caixa, exposição ao câmbio ou posições financeiras.

O mecanismo é mais difícil de automatizar porque envolve não apenas preço e volume, mas também o crédito que um banco aceita conceder à contraparte. Em operações grandes, os operadores precisam avaliar rapidamente limites, relacionamento comercial e capacidade de execução de cada instituição, muitas vezes com a ajuda de corretores de voz.

Diferença entre swaps e operações à vista

De acordo com dados do Banco de Compensações Internacionais (BIS), cerca de 56% dos swaps cambiais já são negociados eletronicamente. No mercado à vista, no qual uma moeda é comprada ou vendida para liquidação mais próxima, a participação eletrônica chega a aproximadamente 71%.

A distância é especialmente visível no mercado entre bancos, conhecido como interbancário. É nesse segmento que costumam ocorrer as maiores posições e que a negociação por telefone continua sendo usada para organizar operações de volume elevado ou com condições específicas.

Plataformas tentam acelerar a mudança

A provedora de tecnologia 360T espera aumentar o volume de swaps negociados eletronicamente em sua plataforma no próximo ano. O London Stock Exchange Group também planeja uma solução de compensação, que pode ajudar a padronizar contratos e reduzir o risco de cada participante ter de administrar individualmente todas as obrigações da operação.

Além disso, pelo menos três locais estão desenvolvendo plataformas voltadas a swaps entre corretoras. A competição sinaliza que o setor deixou de tratar a digitalização apenas como uma possibilidade distante e passou a construir a infraestrutura necessária para viabilizá-la.

Automação reduz custos, mas ameaça funções tradicionais

A maior eletrificação tende a reduzir custos de negociação, acelerar a comparação de preços e permitir que bancos e fundos processem mais operações com menos tarefas repetitivas. Para os grandes provedores de liquidez, automatizar os swaps entre instituições é uma prioridade justamente porque esse é um dos maiores segmentos do mercado cambial.

O efeito sobre os empregos de corretores, porém, é uma das preocupações. Participantes do setor também apontam que a interação humana ainda ajuda a interpretar situações excepcionais e a manter relacionamentos. Há receio de que resumos produzidos por inteligência artificial e comunicações automatizadas deixem conversas e mensagens excessivamente padronizadas.

Grandes operações continuam no modelo manual

Alguns fundos já automatizaram swaps de menor porte. Segundo Ian Packer, da UBS Asset Management, operações eletrônicas podem chegar a US$ 500 milhões em moedas principais. Acima desse nível, a negociação costuma exigir contato telefônico, em parte porque nem todos os bancos têm sistemas capazes de processar transações maiores de forma integrada.

Esse é o principal limite para a adoção em escala. Richard Turner, da Insight Investment, afirmou que operações grandes ainda precisam ser feitas manualmente porque os bancos envolvidos não contam com sistemas suficientemente sofisticados. O próximo passo será convencer essas instituições a adotar padrões compatíveis; sem isso, a automação continuará concentrada nas transações menores.