O candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, afirmou nesta sexta-feira (18) que elevar o Bolsa Família em R$ 91, às vésperas da eleição, “desrespeita a inteligência do brasileiro”. Ao voltar a criticar a medida anunciada por Luiz Inácio Lula da Silva, o ex-governador de Goiás também defendeu um ajuste fiscal para controlar os gastos públicos, tema que pode influenciar a percepção sobre inflação, juros e sustentabilidade das contas do governo.

Caiado associa aumento do benefício a populismo eleitoral

Em entrevista, Caiado disse que o reajuste poderia ser interpretado como uma tentativa de mudar a decisão do eleitor a 16 dias da eleição. “Isso é brincar com a inteligência do brasileiro”, afirmou, ao questionar o aumento de R$ 91 no benefício.

O candidato também criticou o anúncio de distribuição gratuita de canetas de emagrecimento para pessoas com obesidade. Na quarta-feira (16), ele já havia classificado as duas iniciativas como medidas de reta final com “aparência de populismo”, embora tenha reconhecido que os programas poderiam ser considerados adequados em outro contexto.

Proposta prevê limite para o crescimento das despesas

Caiado voltou a prometer, caso seja eleito, uma mudança nas regras fiscais por meio de uma emenda constitucional. A proposta teria um limitador para os gastos do governo federal, permitindo que eles crescessem no máximo até 50% da expansão do Produto Interno Bruto (PIB).

Na prática, a regra faria a despesa pública avançar em ritmo inferior ao da economia quando o PIB crescesse. O objetivo seria reduzir a velocidade de expansão do gasto e melhorar o controle das contas públicas, mas a aplicação poderia exigir escolhas sobre quais políticas e áreas teriam prioridade no orçamento.

Medidas incluem emendas, repasses e isenções fiscais

Além do teto para o crescimento das despesas, Caiado afirmou que pretende cortar 100% das emendas impositivas. Esses recursos são indicados por parlamentares e têm execução obrigatória pelo governo, dentro das regras orçamentárias.

O candidato também defendeu reduzir em 25% o duodécimo, nome dado aos repasses periódicos destinados aos Poderes e a órgãos independentes da República. Outra frente seria revisar isenções fiscais e recursos destinados a programas sociais, o que poderia alterar benefícios tributários e a distribuição de verbas públicas.

Por que o ajuste fiscal importa para a economia

Quando o governo gasta mais do que consegue financiar de forma sustentável, aumenta a necessidade de emitir dívida ou elevar receitas. Essa percepção pode pressionar os juros cobrados no mercado, encarecendo empréstimos para famílias e empresas e dificultando o investimento.

Um controle maior das despesas pode reduzir dúvidas sobre a trajetória da dívida e ajudar a conter pressões sobre os juros futuros. Por outro lado, cortes em gastos, repasses ou programas sociais também podem diminuir a renda de beneficiários e a demanda por produtos e serviços, dependendo de como forem executados.

O que a declaração sinaliza para eleitores e investidores

A fala coloca o debate fiscal no centro da campanha e contrapõe a expansão de benefícios e novos programas à promessa de contenção de despesas. Para quem investe, a combinação entre programas sociais, limite de gastos e revisão de isenções será acompanhada pelo possível efeito sobre a confiança nas contas públicas e sobre o custo de financiamento do governo.

Para trabalhadores e consumidores, o próximo passo é observar como as propostas seriam detalhadas: quais despesas seriam limitadas, quais benefícios fiscais seriam revistos e como ficariam os programas sociais. A declaração, por enquanto, apresenta diretrizes de campanha, sem detalhar a execução das medidas.

Impacto para a sociedade

A discussão envolve diretamente a renda de famílias que recebem o Bolsa Família e o uso do dinheiro público. Um ajuste fiscal pode afetar a expansão de programas sociais, repasses a órgãos públicos e a trajetória das contas do governo, com reflexos sobre impostos, juros e serviços públicos.