O Banco Central anunciou novas regras para o Pix que permitem o uso do Pix Automático em contas-salário a partir de julho de 2027, regulamentam a cobrança híbrida — com boleto e QR Code no mesmo documento — e reforçam as obrigações contra fraudes. As medidas alteram a forma como consumidores pagam contas recorrentes, reduzem o risco de pagamentos em duplicidade e tornam mais rigoroso o controle sobre instituições participantes.

Pix Automático poderá ser usado em contas-salário

A autorização para usar o Pix Automático em contas-salário começa a valer em julho de 2027. A função permite programar pagamentos recorrentes, de modo que o cliente autorize previamente uma cobrança e o valor seja debitado na data prevista, sem a necessidade de repetir a operação a cada mês.

Na prática, a mudança amplia o alcance do recurso para trabalhadores que recebem remuneração nesse tipo de conta. O uso continuará dependendo da autorização do cliente, mas a medida cria uma alternativa para pagamentos regulares, como serviços e outras cobranças periódicas.

Cobrança híbrida junta boleto e QR Code

A chamada cobrança híbrida reúne o boleto e o QR Code do Pix no mesmo documento. A regulamentação entra em vigor em fevereiro de 2027 e busca evitar que o consumidor pague a mesma cobrança duas vezes, uma vez pelo código de barras e outra pelo Pix.

O mecanismo concentra as duas formas de pagamento em uma única cobrança. Isso facilita a escolha do usuário e reduz a possibilidade de que empresas emitam documentos distintos para a mesma dívida, situação que pode gerar confusão e dificultar a identificação de um pagamento já realizado.

BC amplia regras para combater fraudes

O Banco Central também atualizou as regras relacionadas às marcações de suspeita de fraude. As instituições terão novas obrigações para registrar e tratar ocorrências desse tipo, dentro do objetivo de ampliar a segurança e a proteção dos usuários do sistema.

As alterações fazem parte de um conjunto de medidas para aperfeiçoar a participação das instituições no Pix. O foco é melhorar os controles sobre operações suspeitas e reduzir a exposição dos clientes a golpes, sem alterar a lógica de funcionamento do sistema para transações regulares.

Instituições poderão ser suspensas imediatamente

O regulamento aperfeiçoou as regras de entrada, permanência e saída de participantes do Pix. Instituições em liquidação extrajudicial poderão ser suspensas de forma imediata, e os prazos para uma saída ordenada foram ajustados em algumas situações.

A mudança também alcança instituições que não comprovarem o cumprimento dos limites mínimos de capital social e patrimônio líquido. Nesses casos, a penalidade de exclusão do Pix passa a ter efeito imediato, substituindo o prazo atual de 30 dias.

O que muda para usuários e instituições em 2027

De acordo com o BC, a retirada mais rápida de instituições consideradas inadequadas deve facilitar o acesso dos clientes aos recursos mantidos nelas. A autoridade também poderá dispensar a participação obrigatória de instituições com mais de 500 mil contas ativas quando o perfil dos clientes ou o modelo de negócios não justificar o acesso à infraestrutura do Pix.

Para o usuário, os efeitos mais visíveis devem aparecer nos pagamentos recorrentes, na opção de quitar cobranças por boleto ou QR Code e nos procedimentos de proteção contra fraudes. As próximas etapas são a entrada em vigor da cobrança híbrida, em fevereiro de 2027, e a liberação do Pix Automático para contas-salário, em julho do mesmo ano.

Impacto para a sociedade

As mudanças podem afetar diretamente trabalhadores que recebem salário em conta-salário e usam pagamentos recorrentes, como contas de serviços e mensalidades. A cobrança híbrida deve reduzir o risco de pagar boleto e Pix referentes à mesma dívida, enquanto as medidas antifraude ampliam a proteção dos usuários. As novas regras também podem facilitar o acesso ao dinheiro de clientes de instituições retiradas do sistema.